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Há um mês enredados na “prisão do absurdo”

reuters

O Presidente dos EUA voltou à sua bolha de “oxigénio”, enquanto crescem as cisões internas na Casa Branca e as suspeitas de que não vai aguentar nem sequer um ano no cargo para o qual foi eleito. A partir de alguns dos momentos mais importantes das últimas quatro semanas, tentamos antever o que aí vem — quatro mistérios pelos olhos de cinco personagens do show Trump

“A vida é uma campanha. Tornar o nosso país grande outra vez é uma campanha.” Assim declarou o Presidente americano há dois dias, a bordo do Air Force One, em rota da sua “Casa Branca de Inverno” em Mar-a-Lago, para uma cidade na Florida onde nove mil apoiantes o esperavam num hangar. Dias antes, a Casa Branca tinha garantido que o avião presidencial não ia servir de “adereço” nos comícios de Donald Trump, cuja família já custou aos contribuintes americanos em viagens e proteção dos serviços secretos mais de 11 milhões de dólares — quase o mesmo que a família Obama num ano. A viagem de Mar-a-Lago até Melbourne de carro não demora nem duas horas. Mas para Trump, dizia um dos seus conselheiros ao “Washington Post”, os comícios são como “oxigénio” e chegar de carro ao destino não teria tido o mesmo impacto nesse exercício de inspiração.

Trump continua a viver noutra esfera da realidade, uma em que herdou uma “confusão” do anterior governo que está a ser resolvida pela “máquina bem afinada” que, segundo ele, é a sua equipa executiva; uma em que os jornalistas e funcionários que o questionam ou criticam são “falsos”. As pessoas concentradas em Melbourne no sábado para o ouvir acreditam nessa versã — aplaudiram o Presidente em campanha quase 100 vezes em 45 minutos, enquanto Trump, sem ter de lidar com “perguntas difíceis”, se comparou a Thomas Jefferson e a Abraham Lincoln e referiu um ataque terrorista na Suécia que nunca aconteceu, sempre protegido dos gritos e vaias de manifestantes que, ali perto, o acusavam de ser um ditador fascista e um fantoche da Rússia. “Estou aqui porque quero estar entre os meus amigos e entre o povo. Quero estar aqui convosco e estarei sempre convosco, é uma promessa que vos faço.” Trump só estava há uma semana no poder quando meteu os papéis para se recandidatar à presidência.

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  • Sejamos otimistas, já passou um mês com Trump na presidência dos Estados Unidos e o mundo continua a girar como dantes. Na verdade, nada se passou (salvo para os que ficaram uns dias retidos nos aeroportos norte-americanos) de extraordinário, descontando, obviamente, os constantes tweets e as palavras esdrúxulas do Presidente. Porém, enquanto forem só palavras, acho que aguentamos. Claro que os riscos se mantêm, e não são poucos, mas sejamos otimistas: dos 48 meses que ele tinha pela frente na Casa Branca, um deles já passou (é mais de dois por cento, como diria um economista)

  • Trump e o fantasma 
de Nixon

    Constitucionalistas da Ivy League explicam ao Expresso como o escândalo Flynn pode levar à abertura de um processo de perda de mandato de Donald Trump, o Presidente norte-americano que esta segunda-feira cumpre o seu primeiro mês de mandato