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“As subtilezas que se perdem com o acordo ortográfico são tantas que nascerá uma geração privada da compreensão da sua própria língua”

MANIFESTAÇÃO Com o objetivo de acabar com a nova grafia, o grupo “Em aCção contra o Acordo Ortográfico” quer fazer um cordão humano como ação de protesto

Convocadas através do Facebook pelo grupo “Em aCção contra o Acordo Ortográfico”, centenas de pessoas vão reunir-se em Lisboa, pela hora de fecho desta edição do Expresso Diário, para fazer um cordão humano que ligue a Academia de Ciências de Lisboa ao Tribunal Constitucional. “O acordo é tal e qual os liftings modernos que apagam o tempo e as rugas, só que aqui as rugas são marcas etimológicas”, diz Madalena Homem Cardoso, uma das organizadoras da iniciativa

São mais de 75 membros os que compõem o grupo virtual “Em aCção contra o Acordo Ortográfico” e que esta quinta-feira se propuseram ligar a Academia de Ciências de Lisboa ao Tribunal Constitucional com um cordão humano. A iniciativa “simbólica” pretende reivindicar o direito dos cidadãos em não aceitarem escrever de acordo com as normas em vigor desde 2011, data que o Governo português deliberou que se começasse a escrever com a nova grafia.

A ideia é levar a Assembleia da República a ponderar uma via de regresso à grafia anterior ao acordo para pôr fim ao “caos ortográfico instalado e às perturbações fonológicas” existentes.

“A minha esperança é que a insustentabilidade deste caos linguístico seja capaz de reverter o processo. É que o preço a pagar por este acordo ortográfico é o nascimento de uma geração analfabetizada”, diz ao Expresso Madalena Homem Cardoso, responsável pela iniciativa desta tarde. “Como é que um complô político pode interferir por decreto num sistema linguístico?”

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  • Como o nome indica, um acordo ortográfico resulta de um acordo sobre o orto (que em grego significa reto ou direito) que a grafia deve ter. A grafia já teve vários modos e formas e feitios. A ideia de um novo acordo que vem de 1990, há 27 anos portanto, não era agradar a toda a gente nem tão pouco obrigar a que, em privado, todos escrevessem da mesma maneira as mesmas palavras. O acordo serve para jornais poderem segui-lo ou fazerem campanha contra (como o ‘Público’), para as escolas e o Estado o adotarem. De resto, a liberdade mantém-se