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Este PIB dá para rir ou para chorar?

A procura interna, nomeadamente consumo e investimento, deu o maior contributo ao crescimento homólogo. Já o comércio externo penalizou o PIB

Tiago Miranda

Eis as boas e as más notícias sobre a economia portuguesa trazidas pelos números divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo Eurostat e segunda-feira pela Comissão Europeia. Cinco factos que vale a pena analisar em detalhe

Primeiro facto

No quarto trimestre de 2016, a economia portuguesa cresceu 1,9% face ao quarto trimestre de 2015 (variação homóloga) e 0,6% face ao terceiro trimestre de 2016 (variação em cadeia).

Pela positiva, é de destacar o crescimento homólogo de 1,9%, puxado pela recuperação do investimento e pela aceleração do consumo privado no final do ano. Portugal não crescia assim tanto em termos homólogos desde o quarto trimestre de 2013, altura em que o país sai da recessão com um crescimento homólogo trimestral de também 1,9%.

Pela negativa, há que assinalar que o abrandamento do crescimento em cadeia em virtude do forte aumento das importações totais, com destaque para os automóveis importados que voltaram a bater recordes em Portugal. A verdade é que o país conseguira acelerar 0,8% no terceiro trimestre de 2016, mais do que os 0,6% agora registados no quarto trimestre de 2016.

Segundo facto

No quarto trimestre de 2016, a economia portuguesa cresceu acima da União Europeia (UE) quer em termos homólogos (1,9% contra 1,8% na UE), quer em cadeia (0,6% contra 0,5% na UE).

Pela positiva, há que destacar o facto de Portugal ter retomado a convergência com a UE. Em termos homólogos, este é o primeiro trimestre que o país cresce acima da média europeia desde o quarto trimestre de 2013. Em cadeia, este é o segundo trimestre consecutivo que o país cresce acima da UE, um feito que não sucedia desde o primeiro semestre de 2013.

Pela negativa, há que assinalar a quantidade de parceiros europeus que estão a crescer bem acima do recorde de 1,9% alcançado por Portugal no quarto trimestre de 2016. Basta olhar para a vizinha Espanha (3%) ou para Roménia (4,8%), Bulgária (3,4%), Polónia (3,1%), Espanha (3%), Eslováquia (2,9%), Chipre (2,8%), Lituânia (2,7%), Holanda (2,5%) ou Reino Unido (2,2%).

Nuno Botelho

Terceiro facto

No ano 2016, a economia portuguesa deverá ter crescido 1,4% face ao ano anterior. Esta é uma primeira estimativa rápida do INE que deve ser confirmada pelas contas nacionais a divulgar no próximo dia 1 de março. Convém notar que o erro absoluto médio das estimativas rápidas feitas pelo INE desde 2005 é de 0,1 pontos percentuais.

Pela positiva, há que destacar o facto de esta estimativa agora antecipada pelo INE superar as mais recentes expectativas para 2016 da Comissão Europeia (que previu 1,3% esta semana), do Banco de Portugal (1,2% em dezembro), do Fundo Monetário Internacional (1,3% em dezembro) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (1,2% em setembro de 2016).

Pela negativa, há que assinalar que 2016 foi mais um ano de divergência com a UE, já que o crescimento de 1,4% em Portugal não chega para superar o crescimento de 1,9% nos 28 Estados-membros da UE. Há que notar também que 1,4% fica abaixo dos 1,8%, a meta inicialmente prevista pelo Ministério das Finanças no cenário macroeconómico do Orçamento do Estado para 2016.

Quarto facto

A Comissão Europeia prevê que Portugal cresça 1,6% em 2017 e 1,5% em 2018.
Pela positiva, há que destacar o facto de Bruxelas acreditar na continuação da retoma da economia portuguesa.

Pela negativa, há que assinalar a mediocridade destes números no contexto dos 28 Estados-membros da UE. Em 2017, só seis países vão crescer menos do que Portugal e até a Grécia vai bater Portugal, crescendo 2,7%. Em 2018, só dois países deverão crescer abaixo da economia portuguesa. Nesse ano, a Grécia pode já estar a acelerar ao dobro do ritmo de Portugal, já que a Comissão Europeia prevê que cresça 3,1% contra 1,5% em Portugal.

Quinto facto

Há mais otimistas que pessimistas em Portugal.

À pergunta “em comparação com este ano, em sua opinião, 2017 será para o seu país um ano de prosperidade económica, de dificuldade económica ou permanecerá o mesmo?”, 27% dos portugueses consideraram que 2017 será um ano de prosperidade económica, 22% entendem que será de dificuldades económicas e 47% referem que se manterá igual ao ano anterior. Há ainda 3% que não souberam ou não responderam ao inquérito divulgado esta terça-feira pela Win Gallup International/Marktest.