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A ditadura do burburinho (ensaio de Daniel Oliveira)

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O confronto não pode ser entre a América “sofisticada” e a América “tacanha”. E não se pode centrar no burburinho que Trump vai criando. Ele alimenta-se do ressentimento dos desprezados e da espuma dos dias. Muitas coisas que chocam em Trump só são relevantes para os que o recusam, que continuam a falar para si mesmos, cavando um pouco mais o fosso que serve o Presidente. É na frustração da América abandonada, que ele prometeu ajudar e que obviamente trairá, que está a resposta a Trump. Daniel Oliveira assina o quarto dos cinco ensaios que estamos a publicar esta semana sobre o Presidente dos Estados Unidos. O último será assinado por Clara Ferreira Alves

Para justificar a ordem executiva de Donald Trump, Kellyanne Conway, a conselheira que apadrinhou a mentira como “factos alternativos”, responsabilizou dois iraquianos pelo massacre de Bowling Green. Nunca ouviram falar do massacre de Bowling Green? A senhora diz que não foi noticiado pela comunicação social. Ficou por explicar a poderosa razão para a ausência de cobertura mediática: o massacre nunca aconteceu. Houve, de facto, dois iraquianos presos na cidade do Kentucky, onde viviam, por terem usado explosivos improvisados para matar soldados americanos no Iraque e terem tentado enviar armas e dinheiro para a Al-Qaeda. Mas não houve nem massacre nem qualquer suspeita de estarem a planear um.

A mentira em nome da propaganda e para criar ruído não tem nada de novo. Nem sequer no descaramento e na dimensão. Já Barry Levinson tinha caricaturado estas manobras de diversão, através da fabricação de factos, em “Wag the Dog” (“Manobras na Casa Branca”, em português). O título fica explicado na abertura do filme: “Porque é que o cão abana a cauda? Porque é mais esperto do que a cauda. Se a causa fosse mais esperta do que ele, era ela que abanaria o cão.” A arte de Trump é fazer abanar os media e a opinião pública ao ritmo dos acontecimentos que ele próprio vai criando. Se um filme de 1997 baseado num livro de 1993 já nos falava disto, contando a história de um presidente que inventou uma guerra inexistente para distrair as pessoas de um escândalo sexual em tempo de campanha, não terá sido Trump a estrear esta forma de fazer política – ainda nos lembramos das armas de destruição em massa no Iraque?

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  • Trump, Dilma e a desgraça dos impeachments (ensaio de Ricardo Costa)

    O sistema foi capturado por um populista perigoso, mas fê-lo pelo voto popular. Que saia pela mesma porta e pela mesma mão é a única coisa que me parece desejável. Tudo o resto serão processos mais perigosos que o próprio Trump, escreve Ricardo Costa no ensaio sobre o Presidente dos Estados Unidos. Na quinta e na sexta-feira escrevem Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves

  • Lamento ver gente à direita achar que tudo isto é normal (ensaio de Pedro Mexia)

    Trump é um populista que fala para os descamisados da globalização, mas isso tanto define um Trump como uma Le Pen, que é de direita, um Iglesias, que é de esquerda, ou um Grillo, que não é de esquerda nem de direita. Mas Trump é incomparável, escreve Pedro Mexia no segundo dos cinco ensaios que estamos a publicar esta semana sobre o Presidente dos Estados Unidos. Nos próximos dias escrevem Ricardo Costa, Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves

  • A ignorância eurocêntrica sobre Trump (ensaio de Henrique Raposo)

    Trump não é conservador, republicano ou federalista, é um “confederado” sulista à imagem do fundador do Partido Democrata, escreve Henrique Raposo no primeiro de cinco ensaios sobre o Presidente do EUA que vamos publicar nos próximos dias. Os ensaios seguintes são assinados por Pedro Mexia, Ricardo Costa, Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves