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“Quando és julgado pela tua fé, isso é um ato de terrorismo”: 5 depoimentos de 5 barrados por Trump

PROIBIDOS. O iraniano Atabak, o somali Ahmed, o sudanês Belal, o sírio Nour e o líbio Saad são abrangidos pela medida de Trump, que impede a entrada nos EUA a cidadãos de sete nacionalidades. Nesta edição, escrevem depoimentos para o Expresso

Testemunhos. Vivem em Portugal e não podem entrar nos EUA. A nacionalidade trava-lhes a passagem. Um estudante de arquitetura da Síria, um engenheiro da Líbia, um ativista da Somália, um investigador do Irão e um refugiado do Sudão fazem a leitura pessoal do decreto anti-imigração de Trump que os coloca numa “lista negra” de sete países maioritariamente muçulmanos. Fazem-no pelas suas palavras, na primeira pessoa. São cinco depoimentos fundamentais para a discussão em curso

“Quando és julgado pela tua fé, isso é um ato de terrorismo”

D.R.

Nour Machlah, 25 anos, Síria, estudante universitário de Arquitetura. Chegou a Portugal em 2014, integrado no primeiro grupo de bolseiros da Plataforma Global de Assistência Académica a Estudantes Sírios, criada pelo ex-presidente Jorge Sampaio. A guerra obrigou-o a fugir de Alepo para o Líbano, depois Turquia e por fim Portugal. Está a estudar Arquitetura na Universidade de Évora e esperam-no mais dois anos de mestrado. A mãe chegou em junho de 2016 para viver com ele, ao abrigo do reagrupamento familiar. Há cinco anos que não a via. Por isto, declara eterna gratidão a Portugal. “Portugal é o tesouro que Alá me enviou.” A ligação à causa síria leva-o frequentemente a Bruxelas para discursar no Parlamento Europeu.

A decisão de Trump não foi uma surpresa. Já estava à espera de uma coisa radical. Bastou ouvir o que Trump disse durante a campanha. A ligação do Islão ao terrorismo, dos refugiados ao terrorismo. Mas ainda assim, depois de ele vencer, eu rezei por dentro para que fosse diferente. Rezámos todos, não é? Mas não foi. Não nos deu hipótese. E mesmo não sendo surpreendente, foi um choque. Fiquei em choque. Ainda estou em choque.

Trump não quis discutir o problema do terrorismo, não quis apoiar novas soluções. Simplesmente fechou a porta com uma lista. E porquê estes países? Nenhum natural destes países alguma vez bombardeou os Estados Unidos. Não faz sentido. Ou faz. Trump nunca entrará em confronto com outros países onde tem interesses e assim quis mostrar a quem votou nele que está a fazer alguma coisa.

Para mim, isto também é terrorismo. Quando és julgado pela tua fé, isso é um ato de terrorismo. Numa só medida, Trump confirmou publicamente a sua crença na ligação entre terrorismo, religião e certas nacionalidades. O último atentado no Canadá foi feito por um cristão branco. Será que agora vão impedir a entrada de todos os brancos cristãos? Ele que olhe para o país vizinho, para a política de integração de um grande país, para um governo integrador de várias culturas e que resulta.

Sinto pena por todos os americanos por terem este presidente. Um país construído por imigrantes… Como é que é possível? Os americanos estão agora a sentir o que sentem todos os muçulmanos, o que eu sinto de cada vez que dizem que todos os muçulmanos são apoiantes do terrorismo, que eu por ser muçulmano sou terrorista. Eu não sou terrorista porque sou muçulmano, nem um americano apoia necessariamente as decisões de Trump apenas porque é americano.

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