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Um triste fim de reino

A vitória clara de Benoît Hamon na primária do PS é uma bofetada dolorosa para o seu adversário, o antigo primeiro-ministro, Manuel Valls. Mas é sobretudo humilhante para o presidente François Hollande. Os que mais criticaram Hollande e Valls tomaram o poder no PS

Triste fim de reino para o presidente François Hollande. Na solidão do Eliseu, o presidente mais impopular da Quinta República francesa, constata que já nem o partido (PS), que dirigiu durante dez anos e o levou ao Eliseu em 2012, consegue controlar.

Benoît Hamon, antigo ministro da Educação e um dos chefes dos “frondeurs” (rebeldes) do PS, foi um dos que mais contestou as orientações do quinquénio de Hollande. Este, que nem sequer votou na primária organizada pelo seu antigo partido, assiste agora, impotente, à chegada ao poder, no partido, da ala esquerda socialista, que sempre o atacou e que ele continuadamente desprezou desde que foi eleito presidente.

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  • “A experiência portuguesa inspira-nos”

    Benoît Hamon, vencedor da primária da “esquerda cidadã” francesa, disse esta noite que vai lançar de imediato conversações para unir os socialistas e a esquerda, incluindo com Jean-Luc Mélenchon, candidato às presidenciais apoiado pelos comunistas e a esquerda radical

  • Como em relação a Corbyn, não me interessa, por agora, saber se Benoît Hamon é o homem indicado para reconstruir a esquerda francesa. Como com Sanders, não me interessa agora saber se levará os socialistas ao poder contra as duas correntes que a esquerda tem de combater com igual empenho: o neoliberalismo económico e o autoritarismo xenófobo. O que me interessa é sublinhar uma tendência: na luta pela sua sobrevivência, o espaço da social-democracia está a tentar reconstruir-se como polo à esquerda, já não se contentando em ser o mal menor. Compreendendo esta dinâmica, a esquerda portuguesa não pode, por razões mesquinhas, deitar tudo a perder. Os tempos estão a mudar e discursos como o de Francisco Assis estão a tornar-se cada vez mais anacrónicos. Mas um pequeno passo atrás pode significar um recuo de anos. Foi o que aconteceu em Espanha