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Marcelo é como é, o ano foi como não foi

luís barra

Chegou e disse, disse e fez. No primeiro ano depois de ser eleito, assinalado esta terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa condicionou pouco mas acondicionou muito a governação. Construiu intencionalmente a sua imensa popularidade para fazer dela a sua rampa de ação e o seu escudo de proteção. Ortega Y Gasset poderia rescrever a sua mais famosa citação: a circunstância é a circunstância e o seu homem. O homem Marcelo, ano 1

A circunstância era a de haver um governo minoritário, liderado por um partido que havia perdido as eleições, que fazia tripé com duas pernas fugidias. A circunstância era de os analistas financeiros externos verem “radicais de esquerda” a tomar o poder e os analistas políticos internos os verem prontos a despedaçar-se no poder. A circunstância era a banca estar madura por fora mas bichada por dentro. A circunstância era poder tudo correr mal: a Europa punir, a banca implodir, o juro subir, a economia sumir, o governo cair. Era o diabo. Cristo não descera à Terra mas Marcelo subira ao trono.

Marcelo seria, foi e é interventivo. Uma “intervenção estabilizadora”, classifica ele. É uma intervenção que comanda mais do que manda: no sistema português, um Presidente ou abdica de se afirmar politicamente ou afirma-se a favor ou contra o governo. Marcelo ano 1 afirmou-se a favor. Não necessariamente da política de governação, mas da subsistência do governo, o que quase levou ao mesmo. Foi, por isso, mais peso do que contrapeso. Definiu (e negociou?) com António Costa as áreas essenciais de ação conjunta, alinhou-se com ele nelas, intercedeu nos bastidores e interveio sob os holofotes. As duas figuras de Estado não são compinchas, nem colegas, nem camaradas, não pensam da mesma maneira nem governam em conjunto. Marcelo e Costa não se sentam lado a lado na secretária de trabalho, sentam-se frente a frente. São aliados de circunstância e na circunstância.

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