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“É altura de falar sobre o que nós fazemos enquanto jornalistas e sobre o que fazem os ministros da propaganda”

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O dossiê escandaloso sobre Trump que afinal pode ser um escândalo jornalístico mas que também pode ser ambos ou nenhum - depende do ponto de vista e dos próximos dias, porque o debate está a arder e os factos estão em mutação - deixou a América nervosa e partida. Está tudo a ser posto em causa: os jornalistas, os serviços secretos, a verdade e a mentira

Existe uma pequena indústria de empresas de investigação privada em Washington, na sua maioria compostas por ex-jornalistas e ex-funcionários de agências de segurança cujo trabalho passa por apurar informação sobre políticos que os políticos gostariam de manter em segredo. Muitas vezes, aponta o “The Guardian”, essas empresas não sabem quem está a contratar os seus serviços: a encomenda pode vir, por exemplo, de uma sociedade de advogados que representa um determinado cliente anónimo, como acontece nos esquemas de evasão fiscal denunciados por recentes investigações jornalísticas transnacionais (Panama Papers e Football Leaks).

No caso das mais recentes alegações sobre Donald Trump e as suas ligações ao governo de Vladimir Putin, o pedido para que se desenterrassem “podres” sobre Trump veio de um dos seus rivais republicanos durante as primárias do partido. Quando uma dessas empresas subcontratou os serviços de outra firma para investigar o empresário, Trump já tinha derrotado todos os candidatos na corrida partidária. O caso ia morrer ali, ainda antes de começar, mas entrou em cena um novo cliente.

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  • O eixo da (pós) verdade: Obama, a democracia, Trump e os jornalistas

    O discurso de despedida de Barack Obama, a apenas nove dias da tomada de posse de Donald Trump, foi amargo e ensombrado por novos dados sobre alegadas ligações do Presidente eleito à Rússia. Obama já conhecia o conteúdo do dossiê e, no adeus, tentou apontar o caminho para acabar com as divisões na América e salvar a democracia. Mas o circo mediático que se gerou — e que não deverá terminar tão cedo — foi mais sonoro: pôs Trump alinhado com a Rússia contra os rivais do costume, mas também jornalistas contra jornalistas e americanos contra americanos. A era da pós-verdade em todo o seu sombrio esplendor