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A lenta marcha da despedida

Portugal parou para acompanhar Mário Soares até ao cemitério dos Prazeres. Várias pessoas interromperam o seu dia para lhe darem um último adeus. Outras tentaram segui-lo com cravos e rosas amarelas nas mãos, a cor preferida de Maria Barroso. E até a voz de Soares se fez ouvir, tão perto, neste dia

As imagens vão passando como num filme. Vê-se os filhos de Mário Soares a chegar, João e Isabel, vê-se o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a chegar e a cumprimentá-los. Estão mesmo ali, na grande tela afixada no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém. Cá fora, centenas de pessoas estão de olhos fixos no ecrã – e vão chegando mais e mais. Lá dentro a família, os amigos, os políticos e outras personalidades da sociedade portuguesa, a comunicação social.

A urna onde se encontra o corpo de Mário Soares é transportada para o centro do claustro. Porque ele é o centro neste dia.

De repente vem o som. As pessoas que se amontoam cá fora, junto às grades de segurança, ficam assim mais próximas do que se vive dentro das paredes do mosteiro. Ouve-se “A Portuguesa”. A multidão acompanha, a cantar em voz baixa ou de mão no peito. Olhos fixos no ecrã. Alguns filmam com os telemóveis, outros tiram fotografias.

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  • Novembro foi o fim necessário da festa. Necessário, porque a revolução se dirigia para um precipício que poria em risco grande parte das suas conquistas. Ou porque os comunistas as tornariam noutra coisa ou porque o revanchismo de direita faria o tempo andar para trás. É absurdo muitos comunistas guardarem rancor por Soares ter contribuído para travar um processo de degenerescência da revolução que seria inevitavelmente derrotada no extremo ocidental da Europa. Na realidade, o PCP pode agradecer o facto daquilo a que chamam contrarrevolução ter sido liderada por Soares e seus aliados e não, como queriam alguns políticos norte-americanos, pela direita autoritária, repetindo uma “pinochada” em Portugal. Foi isso que garantiu o papel que o PCP manteve na democracia portuguesa e que defendeu o fundamental do legado de abril. Mas talvez a minha maior divergência com os comunistas (e não só) em relação a este assunto comece por aqui: eu sou dos que acham que abril se cumpriu

  • A gratidão de Portugal perante um dos seus maiores

    No dia em que o país se despediu de Mário Soares, o seu percurso foi recordado e elogiado numa sessão solene nos Jerónimos, antes de a urna ser acompanhada até à última morada, entre aplausos e honras de Estado

  • Soares é fixe: edição especial e gratuita do Expresso Diário para guardar

    Henrique Monteiro escreve sobre o maior homem do tempo dele em Portugal. Ricardo Costa antecipa o guia para ler Mário Soares no Facebook. Pedro Santos Guerreiro explica como somos livres para dizer que nos dói perder Soares. António Valdemar, que foi aluno de Mário Soares - com o qual privou durante décadas -, deixa uma testemunho inédito. Joaquim Vieira, biógrafo, elabora sobre a coragem de Soares. Na opinião: Daniel Oliveira, João Semedo, Vítor Ramalho e Henrique Raposo. Soares é fixe