Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

As cores do luto

LENTO. A charrete da GNR que transportou a urna entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Mosteiro dos Jerónimos

luís barra

Mário Soares morreu, mas está vivo nas fotografias a preto e branco. Nas capas dos jornais. Nas mensagens escritas à mão. Na voz de quem grita na rua que ele “é fixe”. No vermelho das rosas e no amarelo das bandeiras. E em duas andorinhas desenhadas na capa de um livro

Teresa chegou a tempo - e não podia ser de outra forma. Tem sido assim nos últimos 40 anos. Mal refeita da constipação, nada arrependida de não ter ido ontem à sede do PS e pronta para o caminho. Casaco castanho apertado até ao pescoço, mala no braço e duas bandeiras na mão. Uma de Portugal, verde e vermelha, a outra branca. “Estive com ele sempre que foi preciso. Hoje não podia faltar”, conta, enquanto caminha, passo acelerado, para a estação do Metro de Entrecampos.

Há obras por todo o lado e gente parada à porta dos prédios à espera do cortejo que há de passar. Uma mulher de casaco branco cai ao atravessar a rua. Teresa pára por instantes. A mulher queixa-se do joelho, diz que foi operada há pouco tempo, mas levanta-se e, após um instante encostada ao semáforo, segue caminho. “Quero ver”, diz. Teresa avança na direção oposta.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

  • A chegada da urna de Soares à Praça do Município

    A urna de Mário Soares chegou à Praça do Município pelas 11:34. A assistir à cerimónia estiveram cerca de 200 populares, algumas figuras políticas e ainda os familiares do antigo Presidente da República. Os filhos João e Isabel Soares e os netos Jonas e Lilah cumprimentaram os presentes, que durante vários momentos se fizeram ouvir através das palmas. A urna foi depois transferida para uma charrete da GNR e o cortejo seguiu em direção ao Terreiro do Paço.

  • Respeito e gratidão

    Desde a sua casa no Campo Grande até ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde vai ficar em câmara ardente, o cortejo fúnebre de Mário Soares cumpriu o cerimonial imposto pelas honras do protocolo de Estado. Agora, e até ao final da manhã desta terça-feira, é a vez dos populares se despedirem do antigo Presidente

  • Soares é fixe: edição especial e gratuita do Expresso Diário para guardar

    Henrique Monteiro escreve sobre o maior homem do tempo dele em Portugal. Ricardo Costa antecipa o guia para ler Mário Soares no Facebook. Pedro Santos Guerreiro explica como somos livres para dizer que nos dói perder Soares. António Valdemar, que foi aluno de Mário Soares - com o qual privou durante décadas -, deixa uma testemunho inédito. Joaquim Vieira, biógrafo, elabora sobre a coragem de Soares. Na opinião: Daniel Oliveira, João Semedo, Vítor Ramalho e Henrique Raposo. Soares é fixe