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Acabou o tempo em que cada um podia ser o que quisesse

A Princesa Leia foi a primeira personagem feminista numa época em que não se sabia o que isso queria dizer

DR

O fim de Carrie Fisher é o fim da Princesa Leia e o principio do fim da infância de uma geração

Eu queria ser o Han Solo porque o Han Solo era o meu preferido. Acho que foi assim com muita gente. Tinha pinta, piada e era imprevisível. Também gostava do Luke Skywalker, porque nunca me ocorrera que um homem podia saltar verticalmente alturas impossíveis sem uma capa vermelha e um “S” no peito ou aquecer o corpo cortando as entranhas de um Tauntaun.

Do ponto de vista de um puto, as possibilidades eram infinitas. Era pegar num ramo ou numa vassoura, pôr uma toalha aos ombros, assobiar o som do lightsaber e enfrentar o primo, como Luke ou como Darth Vader, não importava. Era pegar na pistola de fulminantes e ver sair um raio vermelho a cada toque no gatilho. Era pôr um lenço nos olhos e dizer que se conseguia ver no escuro, porque era isso que a Força fazia – já levantar objetos só de olhar para eles foi algo que a Força nunca me conseguiu explicar. Era decorar as frases e imitar a voz, sobretudo isso, a voz do James Earl Jones. Aquilo era viver, estar vivo, ter coragem, não ter medo do tempo nem do futuro. Estava tudo na imaginação, dentro da nossa cabeça, cada um podia ser o que quisesse.

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