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“Um clima de pânico, tão favorável a soluções antidemocráticas”

Olhámos para os acontecimentos em Berlim e na Turquia, explicamos o que se sabe, enunciamos as dúvidas, escrevemos as incertezas. E falámos com especialistas, que temem a politização do medo. Mas há quem não desista do carácter dos homens, como se lê numa mensagem deixada no memorial das vítimas de Berlim: “A luz é mais poderosa que a escuridão”

As barraquinhas de madeira estavam ali erguidas, como seria costume nesta quadra, para o mercado de Natal, onde se encontrava uma pequena multidão, a apenas quatro dias da Consoada. Ninguém esperava que de repente um camião avançasse sobre o mercado, abalroando as instalações fazendo 12 mortos e 48 feridos, 18 das quais com gravidade.

Na véspera, a milhares de quilómetros de distância, um jovem de fato e gravata tinha passado pela segurança de uma galeria de arte de Ancara e entrado tranquilamente na sala onde decorreria a inauguração da exposição, com a presença do embaixador russo na Turquia. Ninguém esperava que ele, aparentemente sereno e à primeira vista a exercer funções de segurança no evento, puxasse repentinamente da arma e do discurso sobre o sofrimento da Síria e de Alepo, alvejando o embaixador com nove tiros certeiros.

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  • “Há muito que ainda não sabemos”: afinal, o que aconteceu em Berlim?

    Até agora, contam-se 12 mortos e 48 feridos (24 já deixaram o hospital e 18 estão em estado muito grave) como resultado do “atentado terrorista” na noite passada em Berlim. Um camião saiu da estrada e abalroou um mercado de Natal. Inicialmente foi identificado como suspeito um jovem paquistanês de 23 anos. Agora, as autoridades admitem que possa ter sido detida a pessoa errada e que o condutor continue em fuga

  • O que fazer quando alguém lança um camião sobre um conjunto de pessoas inocentes? Ou quando entra aos tiros numa Mesquita? Ou quando um agente da polícia mata à queima-roupa um embaixador? A melhor a resposta não existe. Não podemos controlar toda a gente, todos os camiões, todas as aglomerações de pessoas, todos os agentes armados. Temos de conviver num mundo assim. As reações têm de ser pontuais – penas duras e exigentes –, mas em resposta à ação. A prevenção torna-se quase impossível