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Referendo com vencedores “politicamente incompatíveis”. Está aberto um quebra-cabeças

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O dia é de festa para a heterogénea coligação de partidos que rejeitou, com 59,1% dos votos no referendo de ontem, as reformas constitucionais propostas pelo chefe do Governo, Matteo Renzi. Consumada a demissão do primeiro-ministro, do Partido Democrata, cada vencedor sugere, agora, a sua própria receita para sair da crise política

Rossende Domènech, correspondente em Itália

Todos os analistas italianos sublinham, esta segunda-feira, que os seis milhões de votos de diferença entre o “não” (19.419.507) e o “sim” (13.432.208) só se uniram em nome da desesperança, da desilusão e do medo da exclusão na presente situação económica e social, sendo, no demais, “politicamente incompatíveis”. Há quem reconheça no resultado da consulta popular o mesmo fenómeno antissistema que se verificou no Reino Unido com o Brexit e nos Estados Unidos com a vitória de Donald Trump. “Quem perdeu o referendo foram as elites do país”, comentou Matteo Salvini, líder da eurocética Liga do Norte.

A palavra definitiva para sair do atoleiro político caberá ao Presidente da República, Sergio Mattarella, que tem um dilema complexo para resolver, devido à situação interna e aos efeitos económicos e europeus da crise italiana. Além de o orçamento para 2017 estar ainda por aprovar, há oito a dez bancos italianos à beira da falência, aguardando por uma solução de mercado que requer a liderança de um Executivo, sob pena de arrastar a União Europeia para uma crise sistémica. Ao contrário do que se temia na véspera, as bolsas mantiveram esta segunda-feira alguma serenidade, provavelmente provocada pela determinação do Banco Central Europeu em comprar dívida italiana para impedir a especulação nacional e internacional.

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  • O que esta fotografia não diz

    Os líderes dos países mais poderosos do mundo estão a mudar - eles e os ideais políticos que representam. Menos Merkel, que vai a eleições no próximo ano na Alemanha. Pode a chanceler que foi acusada de querer destruir o euro ser a salvadora da União Europeia dos nacionalismos que a põem em causa?

  • A cada ato eleitoral realizado no mundo vamos ficando mais perplexos e menos exigentes. Contentamo-nos, na Áustria com a vitória de um senhor que não sabemos exatamente ao que vem, mas que derrotou um protonazi, que sabíamos exatamente ao que vinha. Ainda que este último tivesse 46 por cento, quase metade do eleitorado. Se na Itália as coisas correram ainda pior, com o Cinco Estrelas e a Liga Norte a venceram um dos líderes mais dinâmicos do Velho Continente, se na França o PSF está destruído e todo o esforço é para derrotar Marine Le Pen, que confiança teremos numa Europa capaz de fazer frente às tormentas que se avizinham? É óbvio que essa confiança está perto do zero

  • As bolsas europeias fecharam com ganhos, com exceção de Milão. Os juros da dívida soberana da zona euro subiram, mas não houve disparo. Prémio de risco da dívida portuguesa e espanhola baixou. Euro valorizou-se. Preço do Brent subiu ligeiramente