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O que torna o Congresso do PCP diferente

Todos os membros do Comité Central foram chamados ao palco

ana baião

Já tudo foi dito sobre o XX Congresso do PCP, de como confirmou a liderança de Jerónimo de Sousa, de como ratificou o acordo com o PS, de como mostrou um partido unido. Falta dizer o que de diferente tem a reunião magna dos comunistas

Não é um Congresso qualquer. É o Congresso do PCP e isso significa uma série de diferenças em relação a todos os outros partidos do espetro nacional. Os comunistas são organizados, militantes, funcionam em circuito ultra-fechado e não mostram nada mais do que querem mostrar. O Expresso elencou algumas das singularidades detetadas ao longo de três dias de trabalhos.

É, talvez, a maior singularidade de todas. Num Congresso comunista não há falhas de horários. As sessões começam à hora marcada e, mais extraordinário ainda, acabam à hora determinada no programa. Num país como Portugal, onde há sempre um cafezinho que é preciso tomar, um discurso que se prolonga, uma conversa que não termina, os militantes do PCP parecem suíços. A pontualidade é uma marca diferenciadora, o rigor uma constante. Não há noitadas, nem descanso matinal. Pontualissimamente, o Congresso começa às nove e meia e termina, no máximo, às 20 horas. Sem falhas. O programa é para cumprir.

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  • Geringonça intocável: o congresso do PCP em 7 pontos

    Há dois congressos, o aberto à comunicação social e a sessão fechada aos delegados. A reunião pública foi marcada pela unanimidade, Costa e Marcelo ficaram de fora, João Oliveira foi dos mais aplaudidos e, para travar o regresso da direita, a luta continua a fazer sentido

  • O PCP passou de 140 mil militantes em 1996 (tenho ideia de serem quase 200 mil nos anos 80) para 54 mil neste momento. E o facto de mais de metade não pagar quotas é um barómetro de menor militância. Em 1999 os sindicatos filiados na CGTP tinham 763 mil sindicalizados, agora terão 550 mil, segundo a central sindical. Um estudo do Banco de Portugal diz que, entre 1980 e 2010, a percentagem de trabalhadores sindicalizados passou de 59% para 11%. Não podemos analisar um partido com 54 mil militantes e que influencia uma central sindical que representa sobretudo os trabalhadores do sector público com as mesmas premissas que se usavam para falar de um partido onde militavam quase 2% dos portugueses e que era capaz de parar a economia. Mas ao mesmo tempo que pedia influência social o PCP reverteu, desde o inicio deste século, a queda eleitoral que tinha sofrido entre 85 e 95. A convergência entre influência social e influência eleitoral e institucional teve efeitos. A disponibilidade para sustentar um governo do PS e a sua maior dependência em relação aos ciclos eleitorais, por exemplo. Porque tudo mudou à sua volta, o atual PCP é muito diferente do PCP que Álvaro Cunhal liderou. A sua arte foi mudar com a maré passando a ideia que era uma rocha

  • Jerónimo “confirma e reafirma” profissão de fé no comunismo

    O secretário geral do PCP encerrou o XX Congresso com um discurso totalmente virado para dentro do seu partido. A mensagem é clara: o PCP continua a ser o mesmo: “dos operários e dos trabalhadores”, que mantém como objetivo a luta pelo comunismo e com as mesmas bases teóricas do marxismo-leninismo.

  • A crítica já não mora aqui

    Longe vão os tempos de arrasar o Governo em todas as áreas e por todos os oradores. E ainda mais longe está o tempo de tecer críticas internas. O XX Congresso do PCP é suave, o clima morno, o tom Pacífico. “O PCP não está comprometido com o programa do governo”, garantiu, ontem, o líder da bancada parlamentar comunista. Mas parece.