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“Votar 'Não' no referendo tornou-se sinónimo de fazer um gesto obsceno a Roma”

DECISIVO. Do referendo de domingo depende o futuro político do primeiro-ministro italiano, Mateo Renzi (à esquerda)

GIUSEPPE LAMI/EPA

Este domingo a Itália vai a votos. O referendo é sobre reformas constitucionais, mas a discussão centra-se na competência do primeiro-ministro, a permanência na UE e a ascensão dos populistas. Especialistas e investidores temem as ondas de choque que se seguirão à provável vitória do “Não”

“Hoje, dizer ‘não’ é a forma mais bonita de fazer política. Isto é de loucos. É o apocalipse para os grandes jornais, os intelectuais e os jornalistas. É um ‘vão-se lixar’ geral”. A afirmação não soa estranha a qualquer pessoa que acompanhe as aventuras políticas de 2016 – já em dois momentos deste ano, no pós-Brexit e o pós-Trump que ainda se vive, frases parecidas ecoaram na imprensa, ditas por líderes populistas que veem a luta contra o sistema como uma vitória do povo. Desta vez, a frase não é de Trump, nem de Farage, mas de Beppe Grillo, o antigo comediante que lidera com sucesso o movimento populista italiano 5 Estrelas, falando à sua audiência sobre o referendo marcado para este domingo em Itália.

Há poucos meses, ninguém esperava que um referendo sobre reformas constitucionais, que pretende na prática agilizar o processo de aprovação de leis e retirar poder ao Senado, tivesse tanto impacto na vida do país. Nem mesmo Matteo Renzi, o primeiro-ministro italiano, que chegou então a prometer, depois de uma vitória do pacote de reformas em ambas as câmaras do Parlamento, que se as reformas não fossem aprovadas pelo voto popular se demitiria. O problema de Renzi, que parece cada vez mais ameaçar o seu Governo, é que os tempos mudaram – 2016 foi um ano de convulsões políticas, e a dois dias do referendo não parece certo que Renzi consiga levar a sua avante.

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