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“Se ouve, se sente, Fidel está presente“

MULTIDÃO. Milhares de cubanos assistem nas ruas à passagem da urna com as cinzas do ex-líder cubano, Fidel Castro.

ORLANDO BARRIA/EPA

Ao sétimo dia de luto, o cortejo fúnebre de Fidel aproxima-se cada vez mais da terra onde o líder cubano nasceu. O que seria uma despedida de um homem transformou-se numa avassaladora e desmedida veneração

Uma escassa neblina filtra a primeira luz da manhã. O carro rola em direção ao oriente, onde o sol já começou a nascer. Partir de Camaguey antes da saída da caravana fúnebre de Fidel, atravessando as barreiras policiais, permite-nos experimentar um momento excecional. Aceder a uma visão única, a mesma que terão, nas próximas horas, os poucos cubanos que acompanham os restos do líder cubano. O carro rola sozinho entre a multidão. Em cada berma há um cubano colado a outro cubano, envergando uma bandeira, um cartaz, uma fita na cabeça. Pronto a gritar: “Yo soy Fidel”.

Com raras exceções abre-se aqui e ali um pequeno e irrelevante espaço ao longo deste extraordinário cordão humano que se formou na estrada que liga uma das maiores cidades cubanas, Camaguey a Holguín, capital da província com o mesmo nome onde o comandante nasceu.

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