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E ao terceiro dia Havana acordou sujeita às leis de mercado

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Fidel, Fidel, Fidel, há um ego que se inflama em cada cubano. Ele é o maior, na rua, na rádio, na televisão. O povo é grande como ele. Enquanto o discurso de grandes feitos se repete, o espírito da revolução renasce. Mas não anula a força invencível da lei da oferta e da procura

Cristina Margato

Cristina Margato

enviada a Cuba

Jornalista

O sol desponta atrás do memorial de José Martí. A primeira luz do dia é já vítrea. À distância e em contraluz, os corpos daqueles que caminham em direção ao local onde Fidel será homenageado transformam-se. Assumem uma só forma, a de uma massa única e compacta que escorre pela avenida em direção às barreiras policiais. Aí, o fluxo reduz-se como na boca de um funil. Do lado oposto, essa mesma fila rapidamente se estende e alarga.

Na segunda-feira, no primeiro dia em que os cubanos puderam participar nas cerimónias fúnebres, deixando o nome gravado no livro de condolências oficial, grupos organizados de pessoas confluem para as avenidas mais largas que conduzem à Praça de Revolução. De uma das ruas mais pequenas sai um grupo de batas brancas, oriunda de um dos hospital próximo. O número de batas é de tal modo enorme que é inevitável perguntar com quem terão ficado os doentes. De um modo geral, Cuba não fechou todos os serviços, mas há muitos que não funcionam, nomeadamente os estatais.

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  • Nada mudou em Cuba. Só o silêncio

    Quarenta e oito horas depois de Raul Castro ter ido à televisão para dizer aos cubanos e ao mundo que Fidel morreu, Havana não ri nem chora. É um deserto escuro. Um lugar onde pela primeira vez o silêncio se impõe e os corpos não bailam