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Os mitos em torno do 25 de Novembro de 1975

25 DE NOVEMBRO. Cinco dias depois, a 30 de novembro de 1975, escrevia-se em “Le Monde”: “A revolução romântica, à ‘Couraçado Potemkine’, que há um ano incomodava a Europa e inquietava Washington, dissipou-se em 48 horas como uma nuvem de fumo. Alguma vez teria sido outra coisa?

Confronto entre ditadura e democracia ou esboroar de uma revolução romântica, à 'Couraçado Potemkine', como escreveu, na altura, “Le Monde”? Quando passa mais um aniversário do golpe militar, reproduzimos no Arquivo Expresso desta quinta-feira o artigo publicado originalmente na revista de 22 de novembro de 2008

O 25 de Novembro de 1975 foi reduzido por quase todos os comentadores ao confronto entre democracia ocidental e totalitarismo soviético. Duas semanas antes, Mário Soares e Álvaro Cunhal tinham protagonizado o famoso debate na RTP do «Olhe que não, doutor...». Henry Kissinger, secretário de Estado de Nixon, tinha visto em Soares e em Cunhal émulos de Kerenski e de Lenine e previsto para Portugal o mesmo desfecho de 1917, na Rússia. Mas era, de facto, isso que estava em causa?

Entre 1974 e 1975 viveu-se um dos períodos mais ricos e agitados da História portuguesa recente. Um regime que parecia eterno caiu num só dia. Sem censura, sem polícia política e sem guerra colonial, o mundo parecia ao alcance da mão. Havia que experimentar tudo o que durante 48 anos fora banido, da Coca-Cola ao Último Tango em Paris, do nudismo à autogestão. Na rua, as coisas avançavam mil vezes mais depressa do que na esfera institucional. Ter um Parlamento eleito e uma Constituição em andamento era bom, mas sabia a pouco. Como dizia, na época, uma canção de Sérgio Godinho: «Só quer a vida cheia quem teve a vida parada» e «A sede de uma espera só se estanca na torrente».

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