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O que o tempo, a memória e os homens fizeram às prisões do Estado Novo

FOTOS ANA BAIÃO, JOSÉ CARIA, MARCOS BORGA, RUI DUARTE SILVA e ARQUIVO A CAPITAL/IP,

O Governo divulgou em setembro uma lista de 30 monumentos que serão alvo de concessão a privados. Entre eles constava o Forte de Peniche, onde estiveram presos políticos que se destacaram na luta antifascista. Da sua história fazem parte a prisão e a fuga, já levada às salas de cinema, de Álvaro Cunhal. Em dois meses os protestos foram tais que o Governo acabou por retirar o Forte de Peniche da referida lista, impedindo assim que parte da fortaleza que já alberga um museu se tornasse um hotel. A propósito desta polémica, recuperámos outros locais e edifícios que também serviram de prisão ou cenário de interrogatórios e torturas levados a cabo pela PIDE e que foram entretanto transformados em museus, pousadas ou condomínios de luxo

Aljube (Aljube de Lisboa) tornou-se numa espécie de sinónimo de “cadeia dos presos políticos da PIDE” e por isso tornou-se um Museu da Resistência e Liberdade, dedicado à memória do combate à ditadura e da resistência em prol da liberdade e da democracia.

Mas os horrores que se escondem nas paredes do Nº42 da Rua Augusto Rosa remontam à ocupação muçulmana de Lisboa, onde já era instalação prisional.

Utilizada depois como prisão eclesiástica, nem o terramoto de 1755 conseguiu derrubar o edifício do Aljube. Após o Liberalismo, foi destinada a presos de delito comum e mais tarde prisão de mulheres. Durante a I República foi erguido inclusivamente mais um piso.

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