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O Forte de Peniche, por um ex-preso político

FOTO ARQUIVO A CAPITAL

Dirigente do PCP, José Ernesto Cartaxo tinha 28 anos quando foi preso pela PIDE. Esteve em Caxias e em Peniche. A pedido do Expresso, explica por que razão é importante o recuo do Governo na concessão a privados do Forte de Peniche. E recorda como funcionava o Parlatório, onde os presos eram autorizados a ver a família

Texto José Ernesto Cartaxo

Foi com satisfação que tomei conhecimento da reversão da decisão do Governo de concessionar a privados o Forte de Peniche. A reconsideração dessa decisão - que suscitou uma justa estupefação e indignação - revela respeito por todos os que lutaram pela liberdade e a democracia.

Ao considerar positiva esta reconsideração por parte do Governo, é necessário sobretudo valorizar e saudar a atitude dos ex-presos políticos, de muitos militares de Abril e de conhecidos democratas: reagimos de imediato com declarações públicas de repúdio, promovemos e pusemos a circular um abaixo-assinado, em forma de petição - Forte de Peniche, defesa da memória, resistência e luta –, que em poucos dias reuniu mais de 5.000 assinaturas, entregues no passado dia 5 de outubro na Assembleia da República e que já atingiu mais de 10.000 assinaturas, em que se afirmava que a decisão de concessionar o Forte de Peniche a privados “punha em causa a preservação da memória histórica do que foi o regime fascista e a luta pela liberdade, bem como as funções e características que um monumento como o conjunto edificado do Forte de Peniche deve ter”.

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