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Para lá de um mundo surdo

SURDO. Não se sabe ao certo a razão da surdez de Rodrigo Lamas, que só foi diagnosticada aos três anos

josé caria

“Eu sei falar!”, surpreendeu-se Rodrigo. Este menino, de 12 anos, é surdo e, ao contrário do que se possa pensar, usa a voz diariamente. “A história do surdo-mudo é um mito”, dizem terapeutas e professores. Na escola Quinta de Marrocos, em Benfica, tenta-se estimular a oralidade dos alunos e orientá-los para um futuro e uma sociedade que não está preparada para os receber. Tudo isto sem nunca deixar de lado a Língua Gestual Portuguesa, que esta terça-feira é celebrada. Até o Presidente Marcelo assinalou a data

Marta Gonçalves

Marta Gonçalves

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Jornalista

Joana Beleza

Joana Beleza

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José Caria

José Caria

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Fotojornalista

Aos três anos ainda ninguém sabia o que Rodrigo tinha. A mãe, Isabel, estranhava que a criança nunca acordasse com o barulho do aspirador ou não reagisse ao som dos tachos. Começou a desconfiar que algo não estava bem. Os primeiros médicos garantiram que o menino tinha uma audição a 100% e os exames não deixavam margem para dúvida. A mãe continuava a não acreditar. Durante meses, insistiu e persistiu até que o diagnóstico que mais temia (e ao mesmo tempo mais esperava) chegou: o seu filho era surdo profundo de ambos os ouvidos.

O olhar vivo por trás dos óculos vermelhos, cor do “seu Benfica”, refletem a energia e alegria de Rodrigo Lamas, hoje com 12 anos. O menino é um dos 85 alunos não ouvintes a frequentar a Escola Básica Quinta de Marrocos, em Benfica, uma das instituições de referência para o ensino bilingue de crianças surdas. Está no 7º ano, adora as TIC (Tecnologias da Informação) e a Língua Portuguesa dá-lhe dores de cabeça, algo que é comum entre as crianças com problemas de audição. Com orgulho, diz a mãe: “Ele por acaso é muito inteligente, agora só tem quatros e cincos”.

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