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A marcha dos pequenos clandestinos

Em 2014, milhares de crianças de países da América Central entraram ilegalmente nos Estados Unidos. O afluxo tornou-se um problema humanitário e relançou o debate sobre a reforma do sistema de imigração e a situação dos 11 milhões de ilegais que residiam então nos EUA. Sendo esta uma das questões centrais - e mais polémicas - da nova ordem político-social que o novo Presidente quer instaurar, republicamos a reportagem que o nosso correspondente fez na altura na zona fronteiriça com o México e que publicámos na revista de 6 de setembro de 2014

APANHADO Guarda fronteiriço prepara-se para levar para um centro de acolhimento um menor salvadorenho de 13 anos que tinha entrado sozinho nos EUA através do Rio Grande

APANHADO Guarda fronteiriço prepara-se para levar para um centro de acolhimento um menor salvadorenho de 13 anos que tinha entrado sozinho nos EUA através do Rio Grande

JOHN MOORE/GETTY

Do dia da despedida forçada, Dámaris Monterroso recorda-se do choro ininterrupto da mãe, do beijo terno do pai, tal como se fosse o último, e de dois indivíduos, com fartos bigodes e chapéus de cowboy, cheios de pressa em arrancar.

Com apenas dois anos, ela teve de ficar com a avó na pequena casa de barro, sem eletricidade, enquanto os pais seguiram o trilho secreto daqueles homens, a quem tinham pago cinco mil dólares (3800 euros) para entrarem, clandestinamente, nos Estados Unidos. Partiram durante a noite da cidade de Quetzaltenango, na Guatemala, com destino ao Vale do Rio Grande, que separa o México do estado norte-americano do Texas, numa viagem de quase dois mil quilómetros.

Um mês mais tarde, os Monterroso enviaram a primeira carta. Depois de a ler, a avó pegou na pequena e abraçou-a, explicando-lhe que os pais estavam a salvo nos arredores de Miami, Florida, e que dentro em breve conseguiriam juntar dinheiro para a ir buscar.

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