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“Investigação a Hillary, agora, é sabotagem política”

Numa entrevista exclusiva ao Expresso, o republicano Richard Painter, ex-membro da Administração de George W. Bush, onde exerceu o cargo de chefe do Conselho de Ética da Casa Branca, explica porque interpôs a primeira queixa oficial contra o diretor do FBI, James Comey, por abuso de poder e violação da lei Hatch Act. Em causa está a reabertura da investigação aos emails de Hillary Clinton, a poucos dias das presidenciais americanas.

O diretor do FBI violou a lei?
É algo absolutamente incrível. Há uma clara violação de uma lei (Hatch Act) que impede o diretor do FBI, ou qualquer outro funcionário federal, de se imiscuir na campanha eleitoral. O castigo máximo é a perda do cargo. Para se ter uma perspetiva histórica, vários elementos da administração Bush, da qual fiz parte, foram acusados em 2006 de ter violado a mesma lei, mas o processo arrastou-se e só foram considerados culpados em 2010. Barack Obama já era Presidente, e nada fez. Não há pena de prisão, mas é uma violação grosseira da lei. Revelar parte de uma investigação sobre um candidato à Casa Branca a menos de duas semanas das eleições é sabotagem política. Não houve qualquer preocupação legítima com os interesses do Governo dos Estados Unidos. Só porque um pervertido (referência a Anthony Weiner, o ex-congressista que trocou imagens íntimas com várias mulheres via redes sociais, prática de “sexting”, uma das quais com uma alegada menor, o que o tornou alvo de uma investigação criminal) tem emails de Clinton no seu computador, uma vez que é casado com um membro do “staff” da candidata, não dá o direito a Comey de vasculhar aquelas mensagens sem um mandado de busca. O mesmo Comey reconheceu, na passada sexta-feira, que o FBI ainda não tinha varrido os emails de Hillary. Se esse é o caso, porque é que que teve de informar o Congresso e com isso tornar pública a informação sobre reabertura da investigação, uma vez que era evidente que os republicanos colocariam a notícia cá fora? - os democratas fariam o mesmo. Além disso, a carta é uma violação clara de uma prática comum no Departamento de Justiça de não discutir pormenores de uma investigação em curso seja com quem for, incluindo membros do Congresso.

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