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O profano dom de José

RUI DUARTE SILVA

O livro novo do antigo primeiro-ministro parece ser um ensaio sobre o carisma, mas é na verdade uma reflexão sobre a liderança. E parece haver mais gente interessada nas histórias acerca do livro do que nas histórias do livro 'propriamente escrito'

“[...]
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
[...]
Fernando Pessoa, "Tabacaria", in Poesia de Álvaro de Campos (citado por José Sócrates, p.82)

Um livro de José Sócrates pode ser apenas um livro de José Sócrates? A resposta é não. Nenhum livro de José Sócrates poderá alguma vez ser apenas um livro de José Sócrates. Ao contrário, haverá sempre uma tendência para encarar qualquer livro de José Sócrates como sendo um livro sobre José Sócrates, ainda que José Sócrates, o autor, garanta que não é ele, José Sócrates, o protagonista. Foi isso mesmo que fez, esta semana, numa entrevista televisiva a propósito do lançamento de “O Dom Profano, Considerações sobre o carisma”. “O livro não é sobre mim”, assegurou o ex-primeiro-ministro, passados os primeiros cinco minutos de conversa. Cinquenta segundos depois, Judite de Sousa atirou-lhe uma pergunta sobre o processo Marquês — e a recente decisão do Tribunal da Relação de rejeitar o requerimento de recusa do juiz Carlos Alexandre — e o personagem roubou a cadeira ao criador. “Este processo acabou”, sentenciou o arguido depois de enumerar todos os problemas que encontra na investigação. E fê-lo com a aparente veemência de um líder.

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