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“Nunca perdi a fé em Deus. Penso até que tenha amadurecido, depois de ter passado por um martírio”

EX PADRE. À porta da Igreja dos Italianos, no Chiado, Krzysztof Charamsa veio apresentar o livro que escreveu depois de abandonar a Igreja, que serviu durante 18 anos. A assunção da sua homossexualidade está no epicentro da expulsão - e das denúncias

luís barra

Quando, a 13 de outubro de 2015, monsenhor Krystof Charamsa revelou a sua homossexualidade, no Vaticano, escandalizou a Igreja e o mundo católico. No dia seguinte foi expulso da Congregação para a Doutrina da Fé, da qual foi membro 12 anos, proibido de dar aulas de Teologia, de celebrar missas, de usar batina. Um ano depois, o seu livro “A Primeira Pedra – Eu, Padre gay, e a minha revolta contra a hipocrisia da igreja” (Ed. Planeta) é um grito de liberdade - e uma prece para uma igreja inclusiva, liberta de dogmas e preconceitos. O Expresso entrevistou-o, na sua passagem por Lisboa para o lançamento do livro

Katya Delimbeuf

Katya Delimbeuf

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Jornalista

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Krysztof Charamsa é um conversador nato. Fala, fala, fala, com um sorriso aberto e franco, olhos nos olhos, de um límpido azul. Na voz meiga, percebe-se que gosta de pessoas. Nos gestos expansivos, lê-se que gosta da sua nova vida. Em Lisboa para falar do seu livro, levámo-lo até à Igreja de Nossa Senhora do Loreto, vulgo dos Italianos, no Largo do Chiado. Pedimos-lhe para entrar. E no fim, perguntámos:

Como se sente hoje numa igreja, depois de ter sido expulso dela, há um ano?
Ainda me sinto em casa. Sinto-me um padre no exílio. Claro, também sinto um pouco de tristeza, própria de alguém que expulsaram de casa. A Igreja não me permite subir ao altar, fazer homilias, que era algo de que eu gostava muito. A minha igreja é a das pessoas, não das leis. Hoje sinto-me mais livre numa igreja do que antes. Mas sinto que sou dali. Nunca perdi a fé em Deus. Penso até que tenha amadurecido, depois de ter passado por um martírio.

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