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“Não consigo encontrar a esperança”

ANTONIN KRATOCHVIL/VII/CORBIS

No dia 25 de abril de 2013, quando John Le Carré lançou o seu 23.º romance, o Expresso foi entrevistá-lo a Londres. Agora, que acaba de lançar a coleção de memórias “O Túnel de Pombos - Histórias da Minha Vida”, republicamos a entrevista que lhe fizemos, publicada originalmente na revista de 23 de maio de 2009. Nela fala da sua vida de espião e de escritor, do pai, um burlão de alto coturno que esteve várias vezes preso, da mãe, que saiu de casa quando ele era criança, de governo(s) e de política, nacional e internacional. Da entrevista retirámos as referências ao livro que lhe serviram de mote, por já não fazerem sentido

Cristina Margato

Cristina Margato

em Londres

Jornalista

Diz-se que no bairro londrino de Hampstead há mais milionários por metro quadrado do que em qualquer outra zona do Reino Unido. Mas a lista de escritores e de artistas que lá moram ou que já lá viveram é provavelmente bem mais impressionante. Lord Byron, T. S. Eliot, Freud, George Orwell, Agatha Christie, Keats são apenas alguns dos nomes que habitaram as suas belas moradias ou caminharam pelas ruas estreitas, pontuadas por velhas chaminés - prova de que a Revolução Industrial passou por ali e que parte dos cenários de Charles Dickens, outro dos famosos moradores, também se encontra sem esforço algum.

John Le Carré (pseudónimo de David Cornwell, n. 1931) vive em Hampstead parte do seu tempo, dividindo-se entre uma dessas moradias que fazem questão de ter uma magnólia à porta e outra construída no cimo de um penhasco da Cornualha. A natureza do escritor parece, contudo, afirmar-se - tanto na deslumbrante Hampstead como na remota Cornualha - como solitária, deixando que a família seja o seu contraponto e o refúgio primordial de um homem que, no auge na Guerra Fria, começou por ser espião dos serviços secretos britânicos.

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