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Batalha de Mossul. Onde o Daesh pode ganhar mesmo que perca

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reuters

A ofensiva que as forças iraquianas lançaram esta segunda-feira para reconquistar o último bastião do Daesh no país, com o apoio aéreo da coligação internacional, vai durar meses e terá um elevado preço, sobretudo humano. Há um milhão e meio de pessoas encurraladas na cidade, muitas já a tentar fugir da cidade, rodeada por um “rio de fogo”. A ONU antecipa o êxodo de até um milhão de pessoas mas só tem garantidos campos de acolhimento para menos de um quinto delas. Na Europa há receios de que o derradeiro golpe contra os jiadistas no Iraque multiplique os atentados no continente. E entre os iraquianos reina o medo de voltarem a ficar entregues às lutas sectárias e brutais que se disseminaram nos últimos 13 anos

Basta um olhar superficial pelas últimas batalhas contra o Daesh no Iraque para se perceber que Mossul não vai cair de um dia para o outro, ao contrário do que aconteceu em junho de 2014, quando o grupo jiadista invadiu e ocupou a segunda maior cidade do Iraque, em tempos o maior centro industrial e comercial do país. Nesse mês, o pretenso califa Abu Bakr al-Baghdadi anunciou ali a instalação de um autoproclamado Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Mais de dois anos depois, ontem conseguiu escapar ileso a um ataque aéreo da coligação liderada pelos EUA, horas depois de o Governo iraquiano ter anunciado na televisão o início da “batalha final por Mossul”.

“A própria cidade tem importância política e militar nesta campanha, em particular por ser a capital de uma província rica em petróleo, de onde os jiadistas têm extraído grande parte do crude que traficam para fora do país e que é uma das suas principais fontes de financiamento”, explica ao Expresso Jonathan Leader Maynard, professor de Relações Internacionais da Universidade de Oxford. “Mossul é, de longe, o maior centro urbano dominado há mais tempo pelo grupo mas, acima disso, existe uma grande componente simbólica na batalha pela cidade: uma das razões pelas quais este grupo é tão perigoso foi a rapidez com que tomou Mossul em 2014, ganhando graças a isso muito poder e ímpeto.”

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  • Cortar, isolar, apertar. Esmagar?

    Mais de 30.000 tropas estão a avançar esta segunda-feira determinadas a retomar o controlo da segunda maior cidade iraquiana, Mossul, sob poder do Daesh. É um acontecimento falado no mundo inteiro, pelo simbolismo e também pela implicação prática – chamam-lhe “batalha final”. O objetivo das tropas antiDaesh é cortar linhas de abastecimento, isolar a área e apertar o cerco para depois esmagar o exército jiadista. Mas as ruas da cidade estão todas armadilhadas - e há o receio de nova crise humanitária