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Quem nunca peregrinou não sabe o que perde. Por José Tolentino Mendonça

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ana baião

No Dia Nacional do Peregrino, pedimos ao padre José Tolentino Mendonça que partilhasse com os nossos leitores uma reflexão sobre o ato de peregrinar. Não, não é, como pensam alguns, um impulso excêntrico e errático, uma fuga às exigências do nosso estar no mundo, mas um tempo necessário à escuta, ao recentramento e ao encontro com o real, um compromisso com uma vida mais consciente de si própria

A verdade é esta: a contemporaneidade já não se conta sem a recuperação da velha figura do peregrino. Aquilo que parecia uma imagem perdida nos fólios e almanaques de antanho, regressa à atualidade com uma capacidade de sedução absolutamente surpreendente. E mais: com uma peculiar capacidade de expressar o mapa interno das perguntas e das procuras, de relatar o mal-estar e a sede por alternativas que se instalou em nós, de dizer esta fome repentina de caminhos, de silêncio e de sentido.

O termo peregrino deriva do latim, com duas hipóteses possíveis: Per ager, que significa “deslocar-se através dos campos”; ou Per eger, “circular para lá das fronteiras”. O que define o peregrino começa por ser assim uma espécie de extraterritorialidade escolhida, que pede claramente para ser lida de forma simbólica. Deixa-se a vida sedentária, a rede rotineira de percursos e abrigos, para viver, durante um período determinado, sem domicílio fixo e sem outro ofício que o de caminhante, numa itinerância despojada e aberta.

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