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Mas afinal o que aconteceu à dignidade do ser humano?

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Dignidade das mulheres, que enfrentam grandes lutas “apenas por serem mulheres” e igualdade de género. Direitos dos migrantes e refugiados, que entre perigosas e arriscadas travessias, campos de acolhimento ou longas temporadas em países que não respeitam os seus direitos mais básicos, são obrigados a interromper a sua vida. António Guterres falou sobre os que não têm voz e comprometeu-se a continuar a lutar pelos seus direitos. Foi o primeiro discurso na ONU depois de ser conduzido oficialmente para o cargo de secretário-geral - a Assembleia Geral ratificou esta quinta-feira a decisão do Conselho de Segurança

Helena Bento

Jornalista

António Guterres falou esta quinta-feira, pela primeira vez depois de ter sido apontado no cargo, aos representantes dos Estados-membros das Nações Unidas e falou bem. Que o digam os aplausos que mereceu o seu discurso, não apenas no fim, mas também durante as pausas que foi fazendo entre temas.

Houve um tema, em particular, que arrancou a maior ovação na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e esse tema foi a igualdade de género. “Há muito que tenho noção da luta que as mulheres enfrentam no trabalho apenas porque são mulheres, da violência a que são submetidas durante os conflitos apenas porque são mulheres”, disse Guterres, que se comprometeu a continuar a luta - a sua luta - pela paridade de género. “Esse continua a ser o meu compromisso.”

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  • Guterres, um homem com uma carreira internacional brilhante e com um perfil político e técnico muitíssimo acima da média, foi, até ter redesenhado no estrangeiro a sua imagem aos olhos dos portugueses, a personificação do “pântano”. Esse pântano correspondia, e nós ainda não o sabíamos, ao fim de um ciclo de desenvolvimento nacional e aumento da qualidade de vida que marcara o início da democracia e a primeira década de uma integração europeia convergente. Esse pântano não era só nosso, como o tempo veio a mostrar. Era do mundo ocidental, da Europa em particular e especialmente das suas periferias. Mas a incapacidade de discutir política sem que a fulanização esmague o debate mais abstrato e complexo das ideias leva-nos a atribuir aos traços de carácter e de personalidade dos atores políticos o que são, na realidade, as tendências de momentos históricos. E a ver em homens com muitas qualidades todos os defeitos do nosso tempo. Isto não desculpa as responsabilidades individuais de cada político, que pode sempre ajudar a torcer a história. Mas ajuda a pôr as coisas, as desse e as deste tempo, em perspetiva