Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

A memória da mítica Sefarad cabe numa caixa de doces

  • 333

MORGADOS. Na caixa branca que a família Kastro trouxe para Portugal cabem mais do que os doces tradicionais, cabe a memória das suas raízes judaicas e da sua ligação a Portugal

TIAGO MIRANDA

Em nove meses, 3.372 descendentes de judeus sefarditas pediram a nacionalidade portuguesa. Destes, 292 conquistaram-na. Metade dos pedidos vieram da Turquia e um veio embalado em cetim e coberto de açúcar. Um passaporte com gosto a amêndoa

A avó Alegra colocava o açúcar ao lume num grande tacho com um pouco de água. Quando a água fervia, quase em ponto de pérola, deitava a amêndoa pelada, crua e moída, até ferver um pouco mais. Era a hora de tirar o tacho do fogo, adicionar as gemas e mexer muito bem, trabalhando um pouco a massa. Era a hora do pequeno Kastro mostrar a sua força. Foi assim anos a fio, marcando a memória do miúdo com a saudade dos “mogados”, especialidade da avó, uma das maiores doceiras de Esmirna, na Turquia. Mas, naquela época, nem ele sabia quão longe a energia dos braços e os doces o iriam levar.

Trinta anos depois, uma caixa de cetim cor de pérola está em Lisboa, sobre a mesa de uma sala de reuniões da PLMJ, um dos principais escritórios de advogados de Portugal. Parece uma caixa de joias, mas lá dentro estão os “mogados”, ou morgados, como o doce de amêndoa é conhecido entre os portugueses, feito exatamente com os mesmos ingredientes usados pela avó Alegra. A caixa é uma prenda de agradecimento a Sara Estima Martins, a advogada que, ao fim de quase um ano, ajudou o já não pequeno Kastro a levar para casa, na Turquia, o passaporte português.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)