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Quando a gatuna é de boas famílias, não rouba mas dá descaminho

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RETRATO-ROBÔ Maria Carlota Cardoso Moniz Castelo Branco Bacelar

Desta vez, quem foi presa era “uma senhora”. E o caso foi segredo durante mais de um mês. Mesmo quando se soube que o espólio de alguém importante, um conselheiro que morrera, tinha sido “desviado”, os nomes da vítima e da suposta criminosa demoraram a ser divulgados. Este é o quinto capítulo da segunda temporada da série Crime à Segunda

Anabela Natário

Anabela Natário

texto

Jornalista

João Roberto

João Roberto

ilustração

Motion designer

“Roubo importante - Prisão de uma senhora”, titularam os jornais quando a polícia deteve a governanta, talvez amante ou só dama de companhia de um conselheiro. “Senhora” não indicava alcunha nem ironia, como se verificava quando noticiavam a prisão de "uma criada modelo", por exemplo. Desta vez, a gatuna era anónima e, à partida, insuspeita... pertencia a boas famílias, tinha 64 anos e "não fez mais do que ficar com aquilo que era seu por direito, por ter aturado tantos anos o general".

A “sra. D.” Maria Carlota — logo pelo nome próprio se nota que a origem desta mulher difere da das criminosas que vão polvilhando os jornais entre o século XIX e o início do XX —, vivia no terceiro andar do n.º 354, da rua de São Bento, em Lisboa, há seis ou sete anos com o general de divisão Francisco António Álvares Pereira, diretor e docente do Instituto de Agronomia e Veterinária e presidente do conselho fiscal da Companhia Geral de Crédito Predial Português, homem com fortuna e ainda influente nestes últimos anos do reinado de dom Carlos.

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