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O homem que gosta do Mundo

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NO ACNUR Guterres com uma família fugida à guerra num campo de refugiados dos subúrbios da cidade curda de Arbil, no dia 17 de julho de 2014

reuters

Foram necessários quase 40 anos para que o “picareta falante” passasse a ser referido como “político de excelente oratória”; houve que esperar quatro décadas para que o ambicioso que espetava facadas nas costas dos seus camaradas de partido ganhasse o estatuto de humilde e humanitário. Foram anos e anos para que o primeiro-ministro que não decidia se tornasse no orgulho nacional e no “mais amado” dos ex-chefes de Governo – Marcelo dixit

Guterres saiu zangado da vida política portuguesa. Tinha motivos para o fazer. E se de mais precisasse, a forma como foram usadas as suas palavras de despedida reforçariam a sua convicção: implacáveis, os opositores transformaram o seu expresso desejo de sair do Governo para evitar que o país caísse num pântano político no reconhecimento de que fora ele a trazer o lodo. Já antes tinham mudado a sua promessa de que não haveria mais “jobs for the boys”, demarcando-se do cavaquistão em que o país vivera, numa alusão a que fora ele o maior empregador de amigos e confrades.

Conheci António Guterres em 1975. Ele era professor no Instituto Superior Técnico, onde eu estudava ainda sem pensar que viria a ser jornalista. Fiz uma cadeira com ele – de que confesso pouco me lembrar, não só por nunca ter usado os conhecimentos que era suposto ter adquirido, mas principalmente porque, nos anos de brasa, a Teoria de Sistemas e Sinais não era propriamente o que mais me interessava. Lembro-me que na discussão do trabalho debatemos mais a manifestação da Alameda contra as ditaduras do que o comportamento de eletrões, correntes e sei lá mais o quê. Ele bem queria examinar-nos…

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