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Carolina votou em 1911. Foi a primeira e a República mudou a lei para impedir o voto feminino

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As eleições para a Assembleia Constituinte da I República colocaram Portugal na vanguarda do movimento sufragista. Carolina Beatriz Ângelo, médica, viúva e chefe de família, foi a primeira mulher a exercer o direito de voto em toda a Europa Central e do Sul. Fez uma leitura ousada da lei, que os homens republicanos não foram capazes de prever, e recorreu para a Justiça para conseguir recensear-se. O juiz Castro proferiu uma sentença revolucionária e ela foi a única mulher a votar. Em 1913, a República mudou a lei e interditou o voto das mulheres

DIA DE ELEIÇÕES. Carolina, à direita, com a sua amiga e correligionária da Associação de Propaganda Feminista Ana de Castro Osório

DIA DE ELEIÇÕES. Carolina, à direita, com a sua amiga e correligionária da Associação de Propaganda Feminista Ana de Castro Osório

ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA / HEMEROTECA MUNICIPAL DE LISBOA

Morreu aos 33 anos, quatro meses depois de ter enfrentado um parlamento e um governo pós-revolucionário que queriam que o direito de voto permanecesse masculino. Combativa, dona de uma rara inteligência, aproveitou a recente mudança de regime, e a visibilidade mediática que as mulheres tinham conquistado nos últimos anos da Monarquia, para interpretar a lei eleitoral como nós a leríamos hoje.

A primeira lei eleitoral da I República, publicada a 14 de março de 1911, “manteve as restrições capacitárias dizendo que poderiam votar os cidadãos portugueses maiores de 21 anos, que soubessem ler, escrever ou os chefes de família, sem mencionar se esses cidadãos eram do sexo masculino ou feminino”, diz ao Expresso Nuno Severiano Teixeira, vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa. Com base nisto, a Drª Carolina Beatriz Ângelo, que se licenciara em janeiro de 1902 na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, e era chefe de família porque ficara viúva em junho de 1910, tentou recensear-se. Os entraves foram muitos, mas ela não se amedrontou.

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