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A entrevista com 40 anos que vai querer ler

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NOVA IORQUE. Lennon em 1974

FOTO BOB GRUEN

No dia em que se estreia em Portugal o documentário de Ron Howard, “The Beatles — Eight Days a Week”, que Jorge Leitão Ramos considera “um espantoso documento social sobre a primeira metade dos anos 60” em crítica a publicar sábado no Culturas/Revista E, o Arquivo Expresso recupera uma entrevista que fizemos a John Lennon e que foi publicada na secção “Artes, Letras e Ciências”, da Revista do jornal Expresso n.º 128 de 13 de junho de 1975. Neste discurso torrencial, cinco anos após a separação dos Beatles e cinco anos antes de ser assassinado em Nova Iorque, Lennon fala sobre o FBI, sobre o período de 18 meses de separação de Yoko Ono, os amigos como Harry Nilsson, a edição de “Rock 'n' Roll” em fevereiro desse ano, produzido por Phil Spector, a Apple, ou a relação com Paul, George e Ringo

Entrevista Rui Cardoso (exclusivo para o Expresso)

Do seu apartamento em Nova Iorque John Lennon fala primeiro sobre o FBI e acossamento: “O meu telefone estava em escuta e seguiam-me por Nova Iorque num carro durante três dias, era um mini Watergate, e quando eu comecei a dizê-lo, até o meu próprio advogado, dizia 'ah, o Lennon é um paranoico, um egomaníaco, porque se haviam de preocupar com ele'. Eles tinham listas de pessoas que não têm nada que ver com nada e, eu era um deles... tudo começou quando apareceu na 'Rolling Stone', ou outro jornal qualquer, que a Yoko e eu íamos a uma Convenção Republicana em San Diego em 71, ou a quando das últimas eleições, mais precisamente durante a campanha eleitoral, e havia de todos os movimentos, o da Pax, etc., desde Allen Ginsberg a Jerry Rubin, um espetro muito variado, para haver uma coisa anti-guerra, e o diálogo era que entre Ginsberg, Rubin e eu (que continuo a ser anti-guerra) haveria uma coisa no estilo de Chicago em 1968, onde as pessoas ainda levaram bastante da polícia, e como geralmente há pessoas que me pedem para aparecer em shows de caridade a qualquer evento importante, falaram-me em ir a San Diego fazer um rally anti-guerra. Estávamos só a discutir isso, quando apareceu logo nos jornais que John e Yoko iam dirigir um vasto rally em San Diego, com Rubin e Ginsberg, todos. E depois começaram a acontecer as coisas... Recentemente perdi o caso em que aleguei que o meu telefone estava a ser escutado, porque não o posso provar, só sabia que havia umas grandes reparações na cave... Quando eu contei ao meu advogado que estavam a escutar o meu telefone, deram-me um número que marquei e fez um feedback que mostrou que o telefone estava em escuta, e eu fiquei com medo na altura, quem é que não ficava, porque de repente apercebi-me que isto era um caso sério, eles estavam em cima de mim, estavam a acossar-me, e eu saía à rua e estava um gorila do outro lado, metia-me no carro e eles seguiam-me, e não se faziam despercebidos, foi por isso que eu fiquei com medo, eles queriam que eu visse que estava a ser seguido. Então fui a um programa de televisão, o 'Dick Cavett Show', um programa de conversa, e disse-o no ar, estava muito nervoso, mas aprendi com o Dick Gregory. A ele seguem-no há anos, e ele disse: o melhor a fazer dizê-lo, pois se te acontecer alguma coisa toda a gente sabe o que te aconteceu e, eu disse-o no ar, na televisão e no dia seguinte não estava lá ninguém, ninguém mais me seguiu. Ainda hoje, pensando nisso, penso se não foi um pesadelo. Até o meu advogado concorda que o telefone dele estava a ser escutado, e não o podia provar e ele é um bom advogado, como qualquer outro.”

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