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Há acontecimentos na vida mais importantes que uma medalha

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FEYISA LELISA. Este gesto pode custar-lhe a vida. “O Governo etíope está a matar o meu povo”

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Feyisa Lelisa não conseguiu a medalha de ouro para a Etiópia na maratona masculina do Rio de Janeiro, mas esta segunda-feira todas as notícias se concentram nele. O atleta que arrecadou a medalha de prata graças a um tempo impressionante levantou os braços, formando com eles um “X”, quando cruzou a meta da prova – e teme que isso lhe custe a liberdade ou até a vida. Feyisa não sabe se pode voltar em segurança ao seu país, mas com um gesto conseguiu que toda a gente visse o que ali se passa há anos: as mortes de críticos do Governo, as detenções arbitrárias e as repressões de liberdades num país que se diz cada vez mais desenvolvido

O que se espera que um país faça quando um dos seus atletas vence uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos? Provavelmente que celebre, que repita os vídeos da façanha, que comente a vitória e o saúde como um herói nacional. Mas não foi isso que aconteceu este domingo, quando o etíope Feyisa Lelisa, de 26 anos, demorou apenas duas horas, nove minutos e cinquenta e quatro segundos a cruzar a meta da maratona masculina no Rio de Janeiro.

De volta à sua terra natal, na Etiópia, a televisão estatal evitava reproduzir o momento em que Lelisa terminou a corrida, mesmo atrás do rival Eliud Kipchoge, do Quénia. O Governo recusava tecer comentários oficiais, como se nada se tivesse passado. A aparente negação da medalha do atleta tem uma explicação, e é dura: se prestar atenção ao momento em que o atleta cruza a meta, verá que ele levanta os braços de forma a que estes formem um “X”, numa forma de protesto que lhe poderá custar a liberdade ou até a vida.

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