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O PIB em duas versões: vai melhorar, diz o Governo; vai correr mal, avisa a direita

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Crescimento homólogo de 0,8% do PIB no segundo trimestre do ano e evolução de 0,2% em cadeia levam Governo a admitir que a economia está “a levar mais tempo a acelerar o ritmo de crescimento”, mas a manter a esperança de que o segundo semestre será melhor. Direita diz que estratégia económica da esquerda está a deixar os portugueses “mais perto de novos sacrifícios”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Os números estão longe de entusiasmar e até o Ministério das Finanças admite que a evolução da economia está a ser “inferior à que está subjacente ao Orçamento do Estado para 2016”. O Governo ainda acredita, no entanto, que os indicadores vão melhorar nos próximos meses e que as metas a que se propôs serão alcançadas. Mas o crescimento anémico do PIB leva o PSD e o CDS a aumentar o tom das críticas, a falar em “estagnação” e a avisar que os portugueses estão a ficar “mais perto de novos sacrifícios”. PS, BE e PCP não comentam.

O otimismo do Governo foi expresso numa nota à comunicação social emitida pelo Ministério das Finanças depois de o INE ter divulgado, esta sexta-feira, uma estimativa rápida das contas nacionais que apontava para um crescimento em cadeia de 0,2% do PIB e uma variação homóloga de 0,8%.

“A economia está assim a levar mais tempo a acelerar o ritmo de crescimento”, admite o Ministério das Finanças, antes de estimar que “nos próximos meses,o crescimento económico deverá ser sustentado nos sinais de franca recuperação do mercado de trabalho”.

Em causa estão, na perspetiva do Governo, indicadores como a descida do desemprego (para 10,8%) e o aumento de emprego (mais 52 mil do que há um ano). Ou também os indicadores de confiança em alta, face ao ano passado, na indústria, construção, serviços e comércio, a que acrescem as expectativas de investimento em 2016, divulgadas pelo INE, e que o Ministério das Finanças recorda serem “as mais elevadas desde 2007”. Um cenário que o Governo estima que seja “reforçado” no segundo semestre do ano “pela implementação completa do Portugal 2020”.

“Infelizmente tínhamos razão”, diz a ex-ministra Maria Luís Albuquerque

Mas se para o Governo há razões para acreditar que a estratégia económica está no bom caminho – apenas mais lenta –, os partidos da oposição aproveitaram os dados do INE para aumentar o volume nos sinais de alarme. “Os números são francamente negativos”, reagiu Maria Luís Albuquerque ao início da tarde, antes de sublinhar que a taxa de crescimento de 0,8% é praticamente “metade da que se verificou no ano de 2015”, o que significa “uma divergência relativamente ao crescimento da área do euro e da Europa, quando estávamos a convergir”.

“Infelizmente tínhamos razão”, prosseguiu a antiga ministra das Finanças. “A estratégia do Governo é economicamente errada, a procura interna não teve qualquer contributo para o crescimento” e o investimento caiu. “O que nos preocupa”, frisou a ex-ministra, “são as consequências que os erros desta estratégia económica terão para os portugueses” — e Maria Luís tratou de prever já esses impactos negativos, sobre o défice, a dívida pública, o emprego e “o bem-estar dos portugueses”.

No mesmo tom, o deputado do CDS Pedro Mota Soares argumentou que os dados divulgados pelo INE surpreenderam até os mais pessimistas. “Têm sido até notícias piores do que estávamos à espera”, disse numa declaração aos jornalistas.

Sustentando que “é muito óbvio” que a estratégia económica do atual Governo está errada, Mota Soares atacou o caminho seguido pelo atual executivo. “O Governo, por fobia ideológica, atacou a atividade económica, o investimento caiu, as exportações caíram”, disse, antecipando que estas notícias “colocam o Governo mais longe das suas metas e os portugueses mais perto de novos sacrifícios”.

O Expresso tentou obter reacções do PCP e do Bloco de Esquerda sobre os dados do INE, mas os dois partidos não se mostraram disponíveis para comentar a evolução do PIB no segundo trimestre. Até ao momento também não foi possível ter qualquer comentário do PS.