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Nazismo: “Não há um dia em que não pense nas vítimas do meu pai”

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PENITÊNCIA Aos 77 anos, Niklas Frank, que foi jornalista, dedica grande parte do seu tempo a falar do que é ser filho de Hans Frank

FOTO ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Niklas Frank é o mais novo e o único filho vivo de Hans Frank, governador-geral da Polónia ocupada por Hitler. Cresceu a digerir a sua própria história, que faz parte de um trabalho sobre descendentes da elite nazi que publicamos este sábado na Revista E

É um mês de março de chuva miudinha em Lisboa quando nos encontramos com Niklas Frank. Alto, esbelto nos seus 77 anos, de barba e rosto aguçado, quis fumar um cigarro à porta do hotel antes de começar a conversa. Era a sua primeira vez na cidade e vinha convidado pelo festival de cinema Judaica, que exibiria “What Our Fathers Did: A Nazi Legacy”, documentário de 2015 em que se aborda a sua história. Nós também queríamos ouvi-la. Afinal, Niklas é o mais novo e o único vivo dos cinco filhos de Hans Frank, o governador-geral da Polónia ocupada por Hitler a partir de 1939. Esse foi o ano em que Niklas nasceu e o início da sua infância — até aos sete anos — foi passado entre a Baviera e Cracóvia, onde o pai fora colocado pelo regime. Ali ficou a saber quem era: o filho de um homem que começou como advogado de Hilter e se tornou no principal responsável pelos crimes cometidos pelo regime nazi em solo polaco, que foi enforcado em 1946 após o julgamento em Nuremberga, e do qual se despediu na prisão.

Com dor e humor descreveu-nos a sua vida, que acabou por ligá-lo ao jornalismo na revista “Stern” durante 22 anos e na guerra por mais dez. Esta é apenas uma das entrevistas que serviram de base ao trabalho sobre descendentes de personalidades do regime nazis que publicamos amanhã na revista E.

Até que ponto o seu pai ainda está ainda presente na sua vida?
Não há um dia em que não pense nas suas vítimas. Penso nelas, penso no meu pai e fico furioso. Toda a minha vida tem sido assim, o mesmo procedimento.

Quando descobriu quem era o seu pai?
Ele foi governador geral da Polónia entre 1939 e 1945. Eu nasci em 1939, em Munique, pelo que desses primeiros anos não me recordo de nada. A família passava seis meses por ano na Polónia e o restante na Bavaria. Soube desde cedo que era filho de um homem poderoso. Vivíamos num castelo — o Castelo de Wawel, em Cracóvia — e lá eu podia fazer o que quisesse. Era o príncipe.

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