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A tragédia dos refugiados: um dia vão ouvir-nos pedir perdão

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FOTO GETTY

Correspondente sobre migração do “The Guardian”, Patrick Kingsley esteve em 17 países e entrevistou dezenas de refugiados, traficantes, passadores, agentes da polícia, guardas costeiros, marinheiros, ativistas e voluntários. Os relatos desses encontros dão corpo a “A Nova Odisseia: A História da Crise Europeia dos Refugiados”, um livro impressionante que, mais do que uma chamada de atenção, é um alerta. O mundo está em estado de emergência

Helena Bento

Jornalista

No outono de 2015, quando já não era possível continuar a fingir que a Grécia e a Itália podiam continuar a lidar sozinhas com os milhares de migrantes que todos os dias chegavam à Europa, a maioria dos governos europeus decidiu finalmente assinar um acordo para retirar 120.000 migrantes dos Estados da linha da frente e dividi-los pelos restantes países do continente. O entendimento foi aplaudido por Bruxelas, que o encarou como uma importante vitória.

Depois de largos meses de negociações arrastadas e cimeiras e conferências inférteis, a União Europeia podia finalmente provar aos mais céticos que a solidariedade entre os Estados-membros, um dos princípios fundadores da UE e que muitos julgavam enterrada e bem enterrada, crescia afinal à superfície. Mas o acordo, como se percebeu imediatamente, não passava de uma resposta insuficiente e lamentável. É que esses 120.000 migrantes equivaliam a cerca de um nono do total das pessoas que chegaram a Itália e à Grécia em 2015. Entretanto, continuavam a ser erigidos muros para impedir os refugiados de entrar na Europa. A Hungria foi o primeiro país a construir uma barreira e fê-lo ao longo do seu flanco sul. Quando as pessoas simplesmente se desviaram e rumaram à Croácia, os húngaros construíram uma segunda barreira ao longo da fronteira com a Croácia.

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