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A mulher que se apaixonou pelo exílio

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FOTO ANTONIO PEDRO FERREIRA

“O Brasil é um país onde todos deviam morar um tempo”, diz Inês, uma portuguesa que nunca pediu a cidadania brasileira apesar de ali viver há 40 anos. Filha de Rui Patrício, o último ministro dos Negócios Estrangeiros do Estado Novo, apoia o PT e agradece aos capitães de Abril terem-lhe “aberto o mundo. Foi maravilhoso, deixar de me sentir uma pessoa importante, sempre vigiada, para ser igual a todos”, fossem “emigrantes ou exilados”. A maioria dos portugueses que fugiu para o Brasil depois do 25 de Abril voltou no final da década de 1970 ou início da década de 1980. Inês e o pai ainda vivem no Rio...amigos como dantes mas com opiniões políticas opostas

Inês gostava da bata “azul clarinha” que vestia todos os dias antes de sair para as aulas no liceu Rainha D. Amélia; antes da revolução de 1974 a bata era obrigatória nos liceus femininos ... porque era uma forma de vestir as meninas da mesma maneira. Os defensores diziam que evitava vaidades, os detratores que uniformizava. Mas a verdade é que a maioria das meninas não se importava com isso, mesmo que no princípio da década de 1970 se irritasse com o excessivo comprimento das batas porque a moda da minissaia fazia furor.

Inês sentia-se importante quando vestia a bata; andava sempre vigiada... afinal era filha de um ministro! O pai tinha 37 anos quando Marcello Caetano o nomeou para tutelar a pasta dos Negócios Estrangeiros; o último chefe de Governo da ditadura portuguesa queria colaboradores mais jovens para transmitir uma imagem de renovação. Rui Patrício – conhecido por carregar os rrr quando falava – tinha sido um brilhante aluno da Faculdade de Direito de Lisboa e era neto e filho de embaixador. Aceitou um cargo que lhe dava privilégios e protagonismo, e uma tarefa impossível de cumprir porque Portugal era cada vez mais mal visto pela comunidade internacional por causa da Guerra Colonial.

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