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“Nega” do PSOE ameaça empurrar Espanha para terceiras eleições seguidas

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NADA FEITO. Rajoy com Sánchez no encontro desta quarta-feira de manhã no Parlamento

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Todas as circunstâncias levam a que o Partido Socialista Operário espanhol (PSOE, social-democrata) carregue sobre os seus ombros a responsabilidade de pôr fim ou continuar o bloqueio iunstitucional que a Espanha vive depois de duas idas seguidas às urnas e mais de 200 dias com um Governo de gestão

Angel Luis de la Calle

Angel Luis de la Calle

correspondente em Madrid

Após a decisão do partido Ciudadanos (C’s, liberais-centristas) de oferecer a Mariano Rajoy a abstenção dos seus 32 deputados numa segunda investidura do líder do Partido Popular (PP, centro-direita, vencedor das últimas eleições), são os socialistas que têm a chave que poderá evitar uma terceira ida consecutiva às urnas.

Rajoy, que desta vez aceitará a incumbência do Rei Felipe VI para formar Governo, terminou na manhã desta quarta-feira a ronda de contactos com os líderes dos partidos políticos com representação parlamentar. Tais contactos visavam “medir” a disposição dos partidos para negociar.

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  • António Costa percebeu que começávamos a assistir aqui a uma transformação eleitoral semelhante à que está a acontecer em vários países do sul, onde são os partidos mais à esquerda que captam eleitores descontentes. Antecipou-se, apanhando o Bloco e o PCP com força suficiente para terem alguma coisa a perder mas sem força para fazer o que Iglesias fez em Espanha. Entendeu-se com a esquerda a tempo de a liderar. Porque a alternativa seria vir a ser obrigado a fazer o papel que o SPD faz hoje na Alemanha ou que o PSOE pode vir a ser obrigado a fazer em Espanha. Bons amigos de ocasião, sobretudo de direita, apelam à abstenção sistemática para a viabilização de mais um governo de Rajoy, tornando o PSOE numa inexistência política. Depois de anos a pedirem aos socialistas que não o fossem, agora pede-se que não existam. A inteligência de António Costa foi a de mudar a estratégia do PS antes que mudasse o sistema partidário e o PS ficasse numa situação muitíssimo mais frágil, como está a acontecer a muitos partidos socialistas. Tomou a iniciativa antes que o contexto o passasse a ser um beco sem saída em que ficou Sanchez. Quem acusa Costa de estar refém do resto da esquerda devia olhar para Espanha e para a situação do PSOE