Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

A primeira vez de Hugo Costa em Paris

  • 333

CRIADOR. Hugo Costa fez a sua estreia na semana de moda de Paris

Foto gregoire avenel

Cresceu em São João da Madeira rodeado de calçado, estudou engenharia de computadores em Aveiro, mas foi em Castelo Branco que deu sentido à paixão pela moda. Aos 33 anos, Hugo Costa chegou a Paris. É o primeiro designer português a participar na semana de moda masculina da capital francesa

Nelson Marques

Nelson Marques

em Paris

Jornalista

Dentro da Maison des Métallos, em Oberkampf, uma das regiões mais efervescentes de Paris, está um calor de ananases. Lá fora, os termómetros ultrapassam pouco os 20ºC, mas dentro do centro cultural parecem 40ºC. A roupa cola-se ao corpo, como se estivéssemos na Amazónia. Ou como numa sauna, se estivéssemos sem ela (a roupa). À falta de folhas de eucalipto improvisam-se leques em folhas de papel. Faz falta uma garrafa de água gelada, mas tudo o que há são copos com saqué. Bem vistas as coisas, ninguém vai sentir a diferença de temperatura.

Estamos na capital francesa, mas a decoração da sala transporta-nos para Tóquio, se o Japão fosse muito quente e húmido. Ao fundo da sala, com filas de cacifos metálicos a fazer de bancos, há um caracter nipónico desenhado em lâmpadas fluorescentes vermelhas. Significa samurai, o guerreiro que inspirou a coleção do jovem designer português Hugo Costa para o próximo verão.

Aos 33 anos, é a primeira vez que o criador de São João da Madeira concretiza um desfile internacional da sua marca. É também a estreia de um português na Semana de Moda Masculina de Paris, onde estão nomes consagrados como Louis Vuitton, Cerrutti, Dior Homme ou Givenchy. Há motivos para sorrir, mas também para suar. Se não de ansiedade, pelo menos de calor.

Fica quase difícil acreditar que, aos 19 anos, Costa estava ainda a estudar engenharia de computadores na Universidade de Aveiro. Logo ele que cresceu rodeado de sapatos: o pai tinha uma fábrica de calçado e a mãe trabalhava como gaspeadeira (costureira de calçado). "Em miúdo, andava sempre pela fábrica a correr de um lado para o outro, a inventar o que fazer", recorda. Mas, no verão daqueles 19 anos, não quis ir trabalhar para a fábrica do pai, como sempre fazia nas férias. Decidiu antes candidatar-se a um estágio num gabinete de design e modelação de calçado, para "aprender mais sobre o setor". Quando deu por ele, estava a desenhar coordenados completos. Ficou "viciado".