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A ópera que lhes devolveu o nome

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PERSISTÊNCIA. “Não é só cantar, é mais do que isso. É aprender a ser responsável”, diz Nuno Teles, de 24 anos, recluso em Leiria há três

josé caria

Esta quinta-feira, na Fundação Gulbenkian, apresenta-se um “Don Giovanni” diferente, nascido e criado na cadeia de Leiria, com jovens reclusos a cantarem em conjunto o papel de Leporello. Trata-se de mais uma etapa num projeto iniciado há já três anos, que impregnou de liberdade a vida na prisão

Luciana Leiderfarb

Luciana Leiderfarb

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Jornalista

José Caria

José Caria

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Fotojornalista

E cá estão, no palco da Gulbenkian. Aprumados e prontos para tudo. Seguem a partitura, respeitando as marcações, atentos ao braço do maestro que os orienta desde o fosso. Nunca cá estiveram antes, mas sabem para onde olhar. O que fazer. Respeitam as entradas e as pausas, as bailarinas que com eles dançam o minueto — e são cavalheiros nada atabalhoados, bem confiantes do seu charme. Estão no palco do Grande Auditório e este fica-lhes pequeno. Representa uma liberdade almejada, só por umas horas conseguida, breve prenúncio do que aí vem.

Para chegar até aqui o caminho foi longo. Iniciou-se em 2014 no Estabelecimento Prisional de Leiria, onde todos eles foram parar à conta de delitos vários. Primeiro uma aproximação informal aos instrumentos, depois a imersão num projeto mais vasto: a montagem de um improvável “Don Giovanni”, de Mozart, que junta os reclusos a uma equipa de cantores profissionais e se intitula “Don Giovanni 1003, Leporello 2016”. Em outubro de 2015, trinta jovens estrearam o resultado desta aventura na própria prisão.

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