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“Os encenadores, as companhias, morreram”

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ENCENADOR. “Na vida das pessoas e na organização política dos países existe um cinismo horrível”, diz Luís Miguel Cintra

GONÇALO ROSA DA SILVA

Luís Miguel Cintra fala sobre a construção de “Música”, a nova criação da Cornucópia, e um tempo, na Alemanha no início do século XX, em que pela primeira vez a arte foi precursora duma crise muito profunda na sociedade

Estreia amanhã, dia 30, no Teatro São Luiz, em Lisboa, o mais recente espetáculo da Cornucópia, “Música”, de Frank Wedekind, uma peça de 1906 que gira em torno de uma rapariga que quer ser cantora de ópera, mas que acaba grávida do professor de canto e sem carreira de espécie alguma. Alguns dias antes da estreia fomos assistir a um ensaio e conversar com Luís Miguel Cintra, o encenador, e diretor da Companhia, função que há muitos anos partilha com a cenógrafa e figurinista Cristina Reis. Invulgarmente culto, experiente, sensível, atento, generoso, Luís Miguel Cintra deixou correr as palavras num discurso cujo tom simples, direto e coloquial é apanágio das poucas pessoas que não têm nada a provar.

Esta peça lembra-me os primeiros tempos da Cornucópia.
Acho que isso tem muito a ver com a época. Nos primeiros anos, a Cornucópia teve o Karl Valentin, teve o “Casimiro e Carolina” [de Horváth], os “Tambores na Noite” [de Brecht]... São coisas que navegam dentro do mesmo espírito, do princípio do século XX, na Alemanha, e do expressionismo alemão. Há na peça uma carga vital forte, mas desequilibrada, estranha. O Wedekind foi muito atacado, a peça foi proibida pela censura. Ele diz que foi uma das obras mais violentas, senão a mais violenta, que terá escrito.

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