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Baralha e torna a dar e fica (quase) tudo igual

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VITÓRIA. Rajoy terá de seduzir outros partidos se quiser manter-se à frente do Executivo

TAREK/EPA

Seis meses depois, repetiram-se as legislativas e pouco mudou. Rajoy sai reforçado da noite de ontem, mas as contas aos apoios para governar não são simples. Vai ser preciso negociar muito para evitar uma terceira ida às urnas que os espanhóis — e o mundo — não compreenderiam

O panorama político espanhol não sofreu alterações de monta na sequência das eleições legislativas de ontem. Se antes era difícil formar Governo, continua a sê-lo. Se não havia maioria clara de esquerda nem de direita, assim volta a ser. Se a entrada dos partidos emergentes não chegou, a 20 de dezembro de 2015, para anular a força das formações políticas tradicionais, agora a sua porção de votos caiu. Abre-se, pois, um longo período de negociações que desta vez não pode, como nos seis meses que passaram, fracassar. Ninguém veria como normal ou aceitável uma terceira ida às urnas em menos de um ano para decidir a mesma coisa.

Coisas da democracia que os partidos espanhóis mostraram não ter compreendido no triste trimestre que se seguiu às legislativas do ano passado. Onde o eleitorado pedia entendimento, cedência e pactos, houve inflexibilidade e aferramento ideológico ou individualismo. Agora recomeça tudo, e o tom terá de ser outro. Ou, pelo menos, desejemo-lo.

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  • António Costa percebeu que começávamos a assistir aqui a uma transformação eleitoral semelhante à que está a acontecer em vários países do sul, onde são os partidos mais à esquerda que captam eleitores descontentes. Antecipou-se, apanhando o Bloco e o PCP com força suficiente para terem alguma coisa a perder mas sem força para fazer o que Iglesias fez em Espanha. Entendeu-se com a esquerda a tempo de a liderar. Porque a alternativa seria vir a ser obrigado a fazer o papel que o SPD faz hoje na Alemanha ou que o PSOE pode vir a ser obrigado a fazer em Espanha. Bons amigos de ocasião, sobretudo de direita, apelam à abstenção sistemática para a viabilização de mais um governo de Rajoy, tornando o PSOE numa inexistência política. Depois de anos a pedirem aos socialistas que não o fossem, agora pede-se que não existam. A inteligência de António Costa foi a de mudar a estratégia do PS antes que mudasse o sistema partidário e o PS ficasse numa situação muitíssimo mais frágil, como está a acontecer a muitos partidos socialistas. Tomou a iniciativa antes que o contexto o passasse a ser um beco sem saída em que ficou Sanchez. Quem acusa Costa de estar refém do resto da esquerda devia olhar para Espanha e para a situação do PSOE

  • Mariano Rajoy vai tentar formar Governo com o PSOE após vencer eleições sem maioria

    Líder do PP marcou para esta segunda-feira uma reunião com o comité executivo do partido para delinear estratégia que o mantenha no poder. “El País” diz que o líder conservador pondera pedir a Pedro Sánchez que se abstenha na votação da sua investidura para poder formar um Executivo minoritário caso o chefe dos socialistas se recuse a integrar a coligação

  • As notícias sobre a morte do bipartidarismo foram manifestamente exageradas

    O Partido Popular volta a sagrar-se vencedor das eleições espanholas, seis meses depois do último teste, e aumenta o número de deputados. Unidos Podemos falha o assalto ao segundo lugar, onde os socialistas do PSOE se mantêm. Recomeça o processo de negociação para formar um Governo saído destas eleições, de onde voltou a não emergir uma maioria clara

  • O Podemos foi, ou é ainda, aquele fenómeno construído com dinheiro vindo da então farta Venezuela para refazer a esquerda europeia. Alimentou-se dos mesmos sonhos que o Syriza, mas nunca teve um líder com a capacidade e o pragmatismo de Tsipras. Iglésias não passa de uma espécie de ‘hippy’ retardado onde pouca gente entrevê alguma solução para o país