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Um Rio sem fundo. Com um mico à espreita

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MARAVILHA. Em pleno paraíso de sol e mar, a preparação dos Jogos Olímpicos agravou a falta de estruturas do Rio de Janeiro

MARCELO SAYAO / EPA

No cenário perfeito, nada parece correr bem. Entre montanha e mar, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro tinham tudo para dar certo. Certo? Errado! A 44 dias do evento, acumulam-se os problemas. Da violência às doenças, passando pelas dívidas e pelo medo de escorpiões. Até o atletismo da Rússia foi banido por doping. A lista de problemas é extensa. Mas não tem o Daesh, garantem os brasileiros

O samba é um clássico de Paulinho da Viola. Embala os ancas das mulheres cariocas e serve de hino para receber os milhares de visitantes das Olimpíadas da Cidade Maravilhosa. Mas, tomando a canção à letra, o pior é se o Rio levar a saúde, o dinheiro, levar a paciência... Levar a vida. Enfim.

Já se contam os dias para o arranque dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro (pouco mais de um mês) e parece sempre possível que a situação da cidade e do evento fique ainda mais grave. Vamos lá começar, mas, aviso desde já, é preciso coragem para chegar ao fim.

O primeiro problema não é culpa dos brasileiros: a equipa de atletismo da Rússia foi banida por doping. Os outros atletas russos podem participar desde que provem estar limpos. Depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um alerta esta terça-feira para atletas, turistas e jornalistas estrangeiros em que aconselha os visitantes a não viajarem à noite, só recorrerem a táxis devidamente registados no aeroporto, terem cuidado com os acidentes de trânsito, as enchentes e os deslizamentos de terra. Devem evitar infeções intestinais, consumindo apenas água engarrafada, lavando as mãos com frequência e não comendo alimentos crus. Sem esquecer ainda o perigo dos “animais venenosos, como escorpiões e cobras”.

Nesta história, o início não foi a luz, mas o mosquito. E o vírus, uma dupla difícil de deter e que se tornou célebre em todo o mundo. Nomes estranhos como Aedes aegypti e zika tornaram-se linguagem banal em praticamente todos os idiomas. Um grupo de cientistas chegou mesmo a pedir o adiamento da competição, mas a OMS recusou, argumentando que o vírus já circula em 60 países.

E quando as picadas pareciam o pior que poderia acontecer a quem se aventurasse no Rio de Janeiro, veio a derrocada da ciclovia. Recém-inaugurada, ladeando uma das mais belas vistas da cidade, afundou-se no mar, levando com as pedras a vida de dois homens. Esta semana passaram-se dois meses da tragédia. Mas ficou o medo de que volte a acontecer algo semelhante.

Depois veio a declaração de calamidade pública. A confirmação de que a cidade não tem dinheiro para cumprir os seus compromissos. O governador do estado, Francisco Dornelles, já disse que o socorro financeiro enviado pelo governo federal será maioritariamente utilizado na conclusão de uma linha de metro e no pagamento das horas extraordinárias aos agentes da polícia.