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Direito de retificação do Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

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Ao abrigo do direito de rectificação peço-lhe a publicação do seguinte texto:

Ao abrigo do direito de rectificação peço-lhe a publicação do seguinte texto:

Na diário digital e na edição online do Expresso de 6 de Junho, foram postas em título, em subtítulo e mesmo no texto, afirmações de carácter sexista que eu não pronunciei, conforme poderá ser verificado na entrevista que foi gravada. Apesar da alteração posterior do título foram mantidas outras afirmações falsas. As expressões referidas são de tal forma grotescas, que não poderiam ser proferidas por alguém no uso do seu perfeito juízo, no século XXI, e muito menos por uma pessoa com o meu percurso, as minhas responsabilidades e as minhas convicções. De resto, cerca de 70% dos 45 internos e assistentes da minha equipa são mulheres que se destacam pela sua competência, dedicação aos doentes, capacidade de trabalho e extraordinário espírito de equipa

O que eu disse foi que a Medicina Interna está com dificuldades em atrair internos porque é uma especialidade com uma carga assistencial pesada (e não existencial, tal como está no texto), nas urgências, nos serviços de Medicina, nos cuidados intensivos e no apoio a outros serviços, o que faz com que os internos com melhores notas (na sua maioria mulheres), optem por especialidades que lhes permitem maior qualidade de vida. Este é, de resto, um fenómeno que se passa noutros países. Além disso, é uma especialidade menos atractiva do ponto de vista financeiro, para os internos em geral (e não para as mulheres em particular) que queiram enveredar pela medicina privada. Daí o ter defendido uma descriminação positiva para esta especialidade que atraia os internos, tal como tem sido feito para a Medicina Geral e Familiar, porque ela é cada vez mais essencial nos hospitais.

De resto todo o artigo é capcioso, denegrindo a minha imagem e a SPMI, contendo erros grosseiros, entre os quais uma fotografia falsa da sede da SPMI. A velocidade com que esta mentira se propagou causou danos irreparáveis.

Luis Campos
Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e do Conselho Nacional para a Qualidade em Saúde.

NE: as declarações de Luís Campos usadas no artigo em causa são as seguintes:

“Temos de olhar para a progressiva feminização da profissão médica, neste momento a maior parte dos estudantes e dos especialistas são mulheres e estas — toda a gente em geral, mas as mulheres em particular —, atendem muito à questão da qualidade de vida e daí a opção por especialidades que lhes permitem compaginar a atividade profissional com qualidade de vida, como sejam a dermatologia e a medicina geral e familiar”.

; "As mulheres atendem muito à questão da qualidade de vida e daí a opção por especialidades que lhes permitem compaginar a atividade profissional com qualidade de vida"; "É um problema geral, mas acho que é mais por parte das mulheres"; "Tem de haver discriminação positiva, incentivos financeiros e outros que tornem a especialidade gratificante também do ponto de vista económico".

Em face da análise posterior às declarações, o título original da notícia foi na altura alterado, por não refletir as declarações de Luís Campos, erro que o Expresso assume e lamenta. O objetivo da notícia é dar relevo a um assunto de inegável interesse público – a falta de médicos em medicina interna –, não tendo qualquer intenção de denegrir a reputação de quem quer que seja.