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“Portugal é difícil de reformar, mas é reformável”

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nuno botelho

Na semana em que vai lançar um livro que junta crónicas suas dos últimos vinte anos, o Expresso entrevistou Vasco Pulido Valente. Desassombrado, como sempre. Ácido, como sempre

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Nuno Botelho

Nuno Botelho

Fotos

Fotojornalista

Mudou-se para a casa onde viveu com os pais desde os nove anos, na Avenida de Paris, mas as coisas não são o que eram. Na casa, “mudei tudo, isto não era nada assim”. Há muita luz, a entrar pelas três janelas da sala, e vêem-se as árvores. Mas na rua as coisas também já não são como eram. Sobretudo a oferta de restauração. Onde havia a Isaura, há agora um “grill horrível”, e do outro lado da rua, o Cunha, “um restaurante ótimo”, também acabou, numa cidade tomada pela “desgraça” da cozinha de autor.

Em entrevista ao Expresso, na semana em que lançou um livro com crónicas dos últimos 20 anos - “De Mal a Pior” (edição D. Quixote) - Vasco Pulido Valente analisa a situação política, critica Marcelo, antevê ruturas no quadro partidário e fala do salto que se prepara para dar da imprensa escrita (“Público”), "que piorou", para o digital (“Observador”). Embora garanta que goste de Portugal - "da língua, do sol, da comida, e de uma certa complacência geral" -, confessa que se tivesse 30 anos "não tinha saído de Inglaterra". Com um projeto de memórias em mãos, já começou a gravá-las mas não está certo de chegar ao fim: "Eu não sou capaz de acelerar nada" e "não sei quanto tempo vou viver".

Está a lançar um livro com crónicas dos últimos quase vinte anos, vai publicar as suas memórias…
…Isso não sei…

É a indicação que temos da sua editora.
Vou começar a trabalhar daqui a pouco tempo nas memórias. Já está alguma coisa feita, mas agora é que vou começar.

De qualquer forma, há memórias a caminho... A questão é esta: revisitou as crónicas dos últimos vinte anos, está a preparar as memórias e vai deixar de escrever no papel, depois de décadas a escrever em jornais, e mudar-se para um jornal online. Isto tudo junto significa o quê? Que viu a proximidade dos 75 anos e achou que era uma boa altura para arrumar o passado e mudar o futuro?
Não… Eu não faço contas dessas. Bem, faço um bocadinho no que diz respeito às memórias, porque nunca se sabe quanto tempo o livro vai levar e eu não sei quanto tempo vou viver. A idade média a que as pessoas morrem é alta, mas não se aplica a todos os indivíduos…

Mas vai acelerar as memórias, com medo de não ter tempo de as acabar?
Não, eu nem sou capaz de acelerar nada.

Digital. "A minha relação com a internet é quase inexistente"

O que é que o fez aceitar ir para um jornal online [“O Observador”] depois de tantos anos a escrever no papel? O que é que significa para si esse salto?
Eu nunca escrevi num jornal online, portanto tenho uma certa trepidação… Vamos ver como é que corre, se me consigo habituar ao meio… Quanto à saída do “Público”, saí fundamentalmente por discordâncias políticas, não teve nada de pessoal. Eu não concordo com a orientação política do jornal.

Vê-lo sair do papel faz um bocado de impressão, pode até associar-se isso à ideia de que o papel vai morrer. Acha que os jornais em papel vão desaparecer?
Não faço ideia, mas acho uma pena. Até porque há aqueles hábitos todos à volta de ler um jornal em papel.

Continua a ler os jornais em papel?
Sim, continuo. Leio os jornais ao pequeno-almoço, a beber o café, como fiz toda a vida.

Qual é a sua relação com o meio para onde agora vai, com a internet?
É quase inexistente.

Não tem um iPad?
Não.

Desde “O Tempo e o Modo”, passou pelos jornais mais importantes do país, do “Expresso” a “O Independente”, do “DN” ao “Público”, e também colaborou com a TVI. Qual o título que mais o empolgou? Houve algum em que sentisse que tinha mais influência?
Nunca pus a questão assim. Os períodos mais felizes da minha vida de jornalista foram no “O Independente” – não na parte do fim, mas no princípio – e no “DN”, enquanto o Mário Bettencourt Resendes foi diretor.

Sente que a revolução digital tornou o jornalismo melhor ou pior?
Acho que tornou o jornalismo em papel pior. Não estou muito a par do jornalismo que se faz online, aí o pouco que vou lendo, e que é a Margarida [Penedo, a mulher de VPV] que me dá em papel, é normalmente bom, porque ela faz-me uma boa seleção. Quanto ao resto, não sei.

E o que é que piorou no jornalismo em papel?
É muito mais mal escrito. Chega a ter erros de gramática nos títulos, de pontuação e até de ortografia – embora hoje a ortografia seja uma confusão, há erros incontestáveis que aparecem nos títulos.

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