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“O meu ministro dura o tempo que a geringonça durar”

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Luís Barra

Alexandra Ludomila Ribeiro Fernandes Leitão nasceu em Lisboa, entrou com cinco anos para a primeira classe e nunca mais parou de estudar, até ao doutoramento, que terminou com media de 18 valores, em 2011. A aluna brilhante e bem comportada da Faculdade de Direito, que aos 43 anos tornou-se na Secretaria de Estado do amigo Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, tem dado a cara pelo governo na intenção de acabar com os contrato associação. E assume que essa é uma causa sua

Luís Barra

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Onde fez o seu percurso escolar?
Até entrar para a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), estudei em Carcavelos, sempre em escolas públicas.

Como surge o Direito?
Por vontade própria. Sempre tive um perfil de humanísticas. Gostava muito de filosofia e história, mas na época eu achava que gostava muito de ir para diplomacia e Direito era o curso que podia permitir-me lá chegar.

Era uma menina bem comportada?
Era, tenho que admitir. E não me orgulho disso.

Porquê?
Porque não me orgulho...Era muito boa aluna, era a melhor da turma...

Mesmo na Faculdade?
Em Direito era a segunda melhor. O melhor era o meu amigo Tiago Duarte, que é professor na Universidade Nova. Ele terminou com media de 17 e eu terminei com 16.

Era marrona?
Eu acho que não, mas às vezes chamavam-me marrona.

Iniciou a escola muito cedo…
Fiz os cinco anos em abril e em outubro desse ano a minha vizinha de cima, que era professora primária, como ia ter turma de primeiro ano, pediu à minha mãe para levar-me com ela, só para experimentar. Adorei. Adorei ir para a escola. A professora disse à minha mãe que o melhor era comprar os livros e fazer a matricula porque eu tinha capacidade para continuar. No final da quarta classe fizeram-me um exame oral, sem eu saber, para perceber se podia transitar para a preparatória. E a partir daí andei sempre um ano adiantada em relação aos meus colegas.

Quando é que começou a envolver-se mais na vida académica?
No 10º ano fiz parte de uma lista concorrente à associação. Eu não era a cabeça de lista, mas fui eu que participei no debate, porque já na altura achavam que eu era explicadinha a falar. Mas perdemos as eleições. E não me meti em mais nada até ao segundo ano da faculdade.

Faz parte de uma lista candidata à associação académica.
Sim, era a lista K, cheia de gente conhecida. O João Tiago Silveira, o Marcos Perestrello, Sérgio Sousa Pinto e mais uns quantos.

Todos ligados ao PS.
Sim, sou filiada na Juventude Socialista desde 1990 ou 91 e no PS desde 1995.

Como é que vai parar à JS?
A minha família é de esquerda, embora nunca ninguém fosse filiado. Sendo eu de esquerda pareceu-me que o PS era o partido mais próximo daquilo que eu pensava.

Mas quem a levou a inscrever-se na JS?
Fui-me inscrever sozinha na sede da JS, que na altura era na Almirante Reis, num sitio bastante mal frequentado, onde uma menina às sete da tarde já não devia ir. Não tenho nada aquela visão de que estar ligado aos partidos é mau e só quem não está ligado aos partidos é que dá garantias de imparcialidade e de ser impoluto. E também acho que a intervenção política não tem de passar só pelos partidos.

Na altura a forma mais natural de fazer intervenção a nível académico era através das juventudes partidárias...
Sim. Depois tive uma fase mais ativa. Fui fundadora do núcleo de estudantes socialistas da FDUL, que foi criado em 1991 e da qual fui coordenadora. Teve um pico muito grande naquela altura e agora está completamente desativado.

Esse pico coincide com a contestação ao professor Soares Martinez?
Exato. No meu 5º ano, em 1994-95, ele dava uma cadeira semestral chamada Filosofia do Direito, que era obrigatória. Eu não escondo que tendo estado a minha mãe presa pela PIDE e sendo eu profundamente antifascista, profundamente anti tudo o que o antigo regime representava e representa ainda hoje, havia uma predisposição da minha parte contra o Soares Martinez, que foi ministro de Salazar. Depois, ele comportava-se de forma um bocado autoritária também na faculdade. Foi-se criando um sentimento de injustiça para com uma série de coisas que estavam a acontecer nas orais dele, que levou um grupo grande de pessoas do meu ano, nas quais me incluo, a revoltar-se e pedir a intervenção do conselho cientifico. Ajudou ao bom sucesso da nossa revolta o facto do grupo dos mais mexidos ser um grupo de muito bons alunos.

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