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Mota-Engil e Bloco Central, BFF (best friends forever)

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ENTRADA EM 2008. Jorge Coelho foi o nome mais sonante de um ex-ministro a passar pela construtora

alberto frias

BE e PCP criticam “promiscuidade” no novo emprego de Portas. Ex-líder do CDS não é o primeiro político a ser contratado pela Mota Engil, que recruta tanto no PS como no PSD

Jorge Coelho, Valente de Oliveira, Lobo Xavier ou Seixas da Costa? O que têm em comum estes políticos? Todos já aceitaram um convite de António Mota para a empresa Mota Engil, que agora contratou Paulo Portas para ajudar na internacionalização da empresa.

Antes de Portas, o nome mais sonante a passar pela construtora foi o do socialista Jorge Coelho, antigo ministro de Estado e do Equipamento Social de António Guterres. O comentador da “Quadratura do Círculo” demitiu-se do Governo, em 2001. Só viria a entrar para a construtora em 2008, assumindo as funções de presidente da comissão executiva e vice-presidente do grupo, mas foi uma passagem polémica.

Legalmente, não o impedia, mas tratava-se de uma empresa que trabalhou na área que havia tutelado diretamente. O ex-ministro do PS acabou por deixar o cargo em 2013 alegando “razões de ordem pessoal”, mas integra ainda o conselho estratégico para a internacionalização do grupo, órgão de que faz parte ainda outro ex-ministro socialista, Francisco Murteira Nabo.

Na Mota-Engil, Jorge Coelho foi o responsável pela consolidação da internacionalização do grupo. Coube-lhe reorganizar e dar dimensão à área internacional, tendo partido de três polos fundamentais: Polónia e Europa Central, África, sobretudo Angola e a América Latina. Na altura, António Mota, numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro, foi claro: “O dr. Jorge Coelho é um lutador até ao final. Fizemos o convite, ele podia ter optado por outros e escolheu-nos a nós. Isso enche-nos de orgulho.” Na mesma conversa, ela perguntou-lhe se António Mota sentia-se poderoso: “Nããão. Mas sei que tenho capacidade de influência.” Nunca foi desmentido.

Em 2010, entrou para o conselho de administração (com funções não-executivas) outro socialista, o ex-secretário de Estado das Obras Públicas do PS, Luís Parreirão, que trabalhou no Governo com Jorge Coelho.

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