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Conservador, recatado e presidente. Começaram os seis meses de fama de Temer

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O INTERINO E A SUSPENSA. Temer e Dilma, uma relação que acabou mal

UESLEI MARCELINO / REUTERS

Membro do conservador PMDB, o novo presidente interino do Brasil é acusado pela esquerda de liderar o golpe que levou à suspensão de Dilma Rousseff. Sem a legitimidade das urnas e sem o apoio dos eleitores, que na sua maioria não o querem na presidência, o homem que até agora estava praticamente limitado ao protagonismo da mulher “bela, recatada e do lar” tem 180 dias para ganhar notoriedade. Muitos antecipam que vai entrar para os anais como o político que ditou uma viragem do Brasil à direita depois de uma década de políticas progressistas

Sou muito procurado mas não trato desse assunto. Não trato sequer do assunto do que possa ou não possa acontecer.” Assim ditou Michel Temer a 31 de março, quando o seu Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) anunciou o fim da coligação de 13 anos com o Partido dos Trabalhadores (PT), perante a intenção da então presidente em nomear o antecessor, Lula da Silva, ministro-chefe da Casa Civil para lhe garantir imunidade no processo Lava Jato. “O poder não é nosso, o poder é do povo”, escreveu Temer no Twitter. “Então registro com muita ênfase que sou muito atento à institucionalidade e, portanto, jamais haveria de influenciar outro poder.”

Muitos, desde Dilma Rousseff e Lula a analistas políticos e ativistas, desmentem Temer, acusando-o de liderar um golpe para encetar o processo de destituição da líder, que acabou de ser suspensa pelo Senado por um período de 180 dias enquanto é julgada pelo Supremo Tribunal Federal por alegada manipulação dos dados económicos antes das presidenciais que, em 2014, lhe garantiram a recondução no cargo.

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  • A economia brasileira, cujos fundamentos não foram mudados por Lula e Dilma, estava condenada a derrapar na primeira curva. O abrandamento económico da China e a queda do preço do petróleo chegaram. Agora, o que está em causa é saber quem paga a factura no momento das vacas magras. Canta Caetano Veloso: "A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil." Ignora-lo é ignorar uma parte do combate político que ali se desenvolve. A direita brasileira, apoiada pela elite económica e mediática, queria conquistar rapidamente o poder para garantir que a crise será paga pelos do costume, fazendo regredir grande parte das políticas sociais do PT. À corrupção que o sistema eleitoral e institucional promove e à crise económica vieram juntar-se magistrados ansiosos por protagonismo, incapazes de compreender que não se pode fazer uma “limpeza” com tal violência que faça ceder as paredes de uma casa. É confrangedor perceber que há quem acredite que esta situação explosiva pode ser gerida por um presidente que ninguém elegeu, que está ele próprio envolvido em casos de corrupção e que deve o lugar a um processo de legitimidade democrática muitíssimo duvidosa. Os homens e mulheres que fizeram cair Dilma Rousseff estão a colocar o Brasil à beira de um colapso político. Cheira a véspera de ditadura

  • Dilma: “Vamos vencer o golpe”

    Numa declaração ao país, Dilma Rousseff disse esta quinta-feira ser vítima de uma “farsa jurídica e política” e de uma “injustiça”, considerando que o processo de destituição aprovado de manhã no Senado é um “verdadeiro golpe” que ameaça a democracia. “Mas eu não esmoreço, vamos vencer”, garante

  • Eu posso perceber a indignação de Dilma Rousseff e dos seus aliados. Afinal, que crime cometeu a presidente (excecionando o crime contra a língua portuguesa que é o de querer ser chamada ‘presidenta’)? Não sou, de modo nenhum especialista em leis brasileiras, mas nenhuma acusação concreta contra ela me convenceu